Revista da Farmácia

Farmácias ampliam acesso ao diagnóstico das hepatites virais com testes rápidos de até 30 minutos

Foto: Divulgação

As farmácias têm desempenhado um papel cada vez mais relevante na ampliação do acesso ao diagnóstico das hepatites virais. Com testes rápidos capazes de fornecer resultados em até 30 minutos para a triagem das hepatites B e C, esses estabelecimentos contribuem para a identificação precoce de infecções que, muitas vezes, permanecem assintomáticas por anos. A importância desse cenário ganha evidência durante o Julho Amarelo, campanha nacional de conscientização sobre a prevenção, o diagnóstico e o controle dessas doenças.

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Silenciosas, as hepatites virais representam um importante desafio para a saúde pública. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 304 milhões de pessoas vivam com infecção crônica. Ainda segundo o órgão, essas doenças são responsáveis por cerca de 1,3 milhão de mortes em todo o mundo. No Brasil, o boletim epidemiológico mais recente contabiliza 826.292 casos registrados entre 2000 e 2024, além de quase 96 mil óbitos relacionados às hepatites dos tipos A, B, C e D.

Segundo a biomédica Natália Strohmayer, mestre e doutora em Microbiologia e Biologia Molecular e assessora científica da Biomédica Equipamentos, o tempo para a obtenção dos resultados dos exames para hepatites virais varia de acordo com o tipo de teste realizado, a infraestrutura do laboratório e o fluxo de atendimento da instituição de saúde. Amplamente utilizados em farmácias, unidades de saúde e serviços de diagnóstico, os testes rápidos permitem que o paciente obtenha o resultado em até 30 minutos e seja prontamente orientado sobre os próximos passos da investigação clínica.

Ainda de acordo com a especialista, no caso da hepatite D, que se manifesta apenas em indivíduos infectados pelo vírus da hepatite B, a investigação de ambas as condições deve ocorrer de forma simultânea. Por isso, além dos testes sorológicos, os exames moleculares podem ser utilizados para confirmar a infecção ativa e auxiliar na avaliação clínica.

As hepatites B e C, por sua vez, exigem uma abordagem mais abrangente. “Após uma triagem sorológica positiva, os testes de biologia molecular, como a PCR, tornam-se essenciais para confirmar a infecção ativa, detectar diretamente o DNA do vírus da hepatite B (HBV) ou o RNA do vírus da hepatite C (HCV), quantificar a carga viral e monitorar a resposta ao tratamento. Isso ocorre porque essas condições podem evoluir para formas crônicas, aumentando o risco de complicações como fibrose, cirrose e carcinoma hepatocelular”, argumenta.

Apesar de as estratégias diagnósticas dependerem do tipo de hepatite viral, Natália reforça que a detecção precoce é importante em todos os casos. Além de direcionar o tratamento e o acompanhamento adequados de cada paciente, a testagem contribui para a adoção de medidas de prevenção, a redução da transmissão e o fortalecimento das ações de vigilância epidemiológica.

Leia também: Alta de casos de gripe no Brasil reforça papel estratégico do diagnóstico na rotina farmacêutica

“O diagnóstico das hepatites virais passou por uma evolução significativa nas últimas décadas, impulsionada pelo desenvolvimento de tecnologias mais sensíveis, específicas e rápidas. Esses avanços permitiram reduzir o tempo entre a infecção e a detecção, aumentar a precisão dos resultados e ampliar o acesso à testagem”, complementa.

Para o setor farmacêutico, a expansão dos testes rápidos representa um avanço importante na oferta de serviços clínicos e no fortalecimento das estratégias de prevenção. Ao facilitar o acesso à triagem, as farmácias contribuem para o diagnóstico precoce, o encaminhamento adequado dos pacientes e a redução da transmissão das hepatites virais.

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