No varejo farmacêutico, em vez de abrir lojas de forma acelerada, redes e empreendedores estão priorizando modelos de expansão mais sustentáveis, baseados em gestão sólida, operação eficiente e planejamento estratégico. A expansão deixou de ser apenas numérica: hoje, qualidade pesa mais do que quantidade.

Segundo o Panorama do Mercado de Franquias 2025, da Associação Brasileira de Franchising (ABF), o país ultrapassou 200 mil operações em funcionamento, registrando crescimento de 2,3% no saldo entre aberturas e fechamentos. Nesse cenário, um personagem ganha protagonismo: o multifranqueado. Dados apontam que 88% das redes já contam com esse tipo de empreendedor e que o número de franqueados com mais de uma marca subiu de 51% para 62% em apenas um ano. No varejo farmacêutico, essa tendência é ainda mais forte — e faz cada vez mais sentido.
Como saber que sua farmácia está pronta para crescer?
A dúvida é comum entre donos de farmácia: quando expandir?
E, segundo especialistas, a resposta passa menos pela vontade de crescer e mais pela estrutura do negócio.
Para Américo José, sócio-diretor da Cherto Consultoria, expandir exige maturidade:
“O franqueado está pronto para crescer quando a loja já funciona com padrão, previsibilidade e independência. Expansão não começa no novo ponto — começa na solidez da operação que ele já tem”.
Essa solidez fica clara na trajetória de Joelson Bastos, mais conhecido como Juca, multifranqueado de 33 lojas e diretor de expansão da Farmais. Ele começou como balconista aos 14 anos, abriu sua primeira farmácia aos 31 e, aos poucos, transformou um pequeno negócio em uma rede robusta. Hoje, além de administrar suas unidades, acompanha de perto o crescimento dos franqueados da marca.
Para Juca, o momento certo de expandir não tem relação com oportunidade, intuição ou coragem — mas sim com estrutura: “Você não abre outra loja quando quer. Você abre quando a sua está pronta para funcionar sem você”.
Ele aponta três pilares que mostram quando a operação atingiu esse nível de prontidão:
1) Gente preparada para sustentar o dia a dia
Nenhuma expansão começa pelo ponto comercial — começa pela equipe.
“Sem equipe madura, você vira escravo do negócio. Com a equipe certa, você vira empresário”.
Isso significa ter um gerente forte, um farmacêutico responsável sólido e um time que executa os processos com consistência. Quando o dono deixa de apagar incêndios e passa a gerir estrategicamente, é um sinal claro de evolução.
2) Caixa organizado e previsibilidade real
O segundo pilar é financeiro — e muitas vezes ignorado.
“Se você não tem caixa forte, você abre uma loja e fecha duas”.
Fluxo de caixa estável, estoque bem calculado, margens claras e uma DRE organizada são indicadores de que a operação aguenta o crescimento sem comprometer a saúde da loja atual.
3) Processos que funcionam sem o dono
Para Juca, esse é o ponto definitivo: “O dia em que percebi que a loja funcionava igual comigo ou sem mim… ali eu entendi que estava pronto”.
Rotina padronizada, metas claras e indicadores consistentes revelam que a operação é replicável — e, quando algo é replicável, é escalável.
Por que vale a pena se tornar multifranqueado?
Além de indicar maturidade, o modelo traz benefícios concretos que transformam o negócio e a vida do empreendedor. Ao assumir duas, três ou mais unidades, o dono de farmácia deixa de operar um ponto comercial isolado e passa a gerir uma empresa — com mais estrutura, mais eficiência e mais força competitiva.
Com múltiplas unidades, o empresário:
Tem mais autonomia e qualidade de vida: Com equipe e processos estruturados, o dono deixa de fazer tudo e passa a liderar de forma estratégica. Isso reduz desgaste e aumenta previsibilidade.
Ganha margem e poder de negociação: Mais volume significa melhores condições com distribuidores, indústria e fornecedores. A operação ganha robustez e competitividade real.
Consegue digitalizar com inteligência: Ferramentas como BI, CRM, e-commerce e marketplace deixam de ser custo alto e passam a ser investimento com retorno claro — porque são diluídas entre várias lojas.
Como as redes podem contribuir nesse processo
Nenhum multifranqueado cresce sozinho — e as redes têm papel central nessa jornada.
Na Farmais, Juca explica que o suporte ao franqueado começa muito antes da inauguração. A rede realiza estudos completos de viabilidade — fluxo, concorrência, potencial de vendas e perfil da região — e acompanha de perto o projeto, a obra, a padronização, a montagem de estoque e o treinamento da equipe.
Para quem opera várias unidades, ferramentas como o Farmais PRO (BI de comparação entre lojas) e o Farmais PED (central de pedidos e negociações) fortalecem a gestão. A isso se somam o e-commerce integrado, o marketplace, o apoio na comunicação local, a orientação de mix e marca própria e o acompanhamento de campo contínuo.
“O multifranqueado não pode carregar a expansão sozinho. A rede tem a obrigação de dar estrutura, dados e direção. Crescer tem método”.
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Os resultados aparecem nos números: hoje, 52% dos franqueados da Farmais já operam múltiplas unidades, e a meta é chegar a 60%, sempre priorizando solidez antes de velocidade.
“Uma rede só cresce de verdade quando cada franqueado cresce com segurança. Expansão sem suporte é risco; expansão com método é futuro”, conclui Joelson Bastos, multifranqueado e diretor de expansão da Farmais.