A Rede d1000, um dos principais nomes do varejo farmacêutico brasileiro e integrante do Grupo Profarma, segue em ritmo acelerado de crescimento. Operando sob quatro bandeiras — Drogasmil, Farmalife, Drogarias Tamoio e Drogaria Rosário —, a companhia consolida sua presença no Rio de Janeiro, no Distrito Federal e em Mato Grosso. Em 2026, a rede atingiu a marca de 315 unidades em operação, impulsionada por constantes aberturas mensais.

Com uma equipe formada por mais de quatro mil colaboradores, a empresa atende atualmente quase três milhões de clientes por mês. O histórico recente reflete essa dinâmica: somente em 2025, foram realizadas mais de 30 inaugurações e 10 reformas de unidades.
Aposta na expansão orgânica e o papel da tecnologia na escolha de pontos
A estratégia de crescimento prioriza a expansão orgânica — abertura de novas lojas do zero — em vez da aquisição de redes concorrentes. A empresa mantém um ritmo médio de 30 a 40 aberturas anuais e estabeleceu a meta de inaugurar mais 40 lojas neste ano. O investimento na abertura de novas unidades justifica-se por dados da IQVIA, que indicam que mais da metade do crescimento do mercado farmacêutico vem de lojas novas.
Segundo Marcelo Cardoso, vice-presidente da Rede d1000, em entrevista ao É de Farmácia, a opção pela expansão orgânica traz vantagens financeiras e operacionais significativas em relação às aquisições. Para ele, comprar redes de terceiros custa mais caro e ainda obriga a absorção de pontos menos rentáveis no pacote.
Para identificar os pontos comerciais com maior potencial, a companhia utiliza ferramentas de geolocalização, dados demográficos e inteligência artificial. A estratégia busca utilizar uma análise técnica granular para encontrar oportunidades “não óbvias”. Embora ruas de grande movimento de pedestres sejam alvos tradicionais, a análise de dados permite localizar oportunidades em esquinas estratégicas, vias de alta circulação de veículos e entradas de bairros que comportem estacionamento próprio.
Transformação digital, omnicanalidade e papel logístico da loja física
No pilar digital, as vendas nos canais digitais da d1000 apresentaram crescimento de aproximadamente 70% em 2025, registrando faturamentos duas a três vezes superiores nos meses mais recentes de 2026. Há cerca de três a quatro anos, o canal online representava apenas 2% das vendas da rede. Hoje, sob o conceito de omnicanalidade, o e-commerce responde por mais de 20% das vendas totais.
Esse avanço exigiu o aculturamento interno das equipes — originalmente estruturadas para atender às lojas físicas — e pesados investimentos contínuos em aplicativos, sites e infraestrutura tecnológica.
A jornada do consumidor evidencia a forte integração entre os ambientes virtual e presencial: entre 60% e 70% das compras realizadas via aplicativo ou site são finalizadas na modalidade “clique e retire”. O comportamento do cliente é motivado pela busca por agilidade, pelo acesso aos melhores preços, frequentemente praticados nos aplicativos, e pela garantia de disponibilidade do produto, permitindo retirar o pedido embalado na loja física.
Em um país com mais de 100 mil drogarias, as lojas físicas mantêm-se essenciais devido ao perfil de compra de baixo volume e rápido atendimento do setor, funcionando também como hubs logísticos descentralizados para entregas rápidas na vizinhança.
Marcas exclusivas versus marcas próprias e gestão de portfólio
Outro eixo estratégico de destaque são as marcas exclusivas, que movimentaram cerca de R$ 140 milhões em faturamento em 2025. A rede diferencia o conceito de “marca própria” — no qual o nome da drogaria estampa os produtos — do modelo de “marcas exclusivas”, em que a d1000 vende produtos de marcas exclusivas, encontradas apenas nas redes do grupo. Entre os exemplos consolidados estão as linhas Bem Básico e Nº 21, além da marca de vitaminas GOnutri.
A construção dessas marcas gera ativos de mercado, fortalece a fidelização dos clientes, assegura melhor controle das margens financeiras e garante regularidade no abastecimento — como na compra e montagem de volumes sob medida de pacotes de lenços umedecidos infantis, por exemplo. A empresa enfatiza que o posicionamento não se baseia na estratégia de “primeiro preço” (produtos de menor custo absoluto), mas sim no equilíbrio entre custo competitivo e alta qualidade para assegurar a recompra pelo consumidor.
Mix de produtos, categorias em evolução e tendências para o futuro
Nas lojas físicas da d1000, o mix médio gira em torno de 10 mil SKUs, divididos entre medicamentos e autosserviço (OTC e Higiene e Beleza). Entre as categorias em ascensão, os suplementos alimentares vêm ganhando espaço, embora o varejo farmacêutico ainda trabalhe para consolidar sua competitividade frente às lojas especializadas para usuários frequentes.
Projetando o futuro do setor, a liderança da d1000 aponta o avanço contínuo do e-commerce, a adaptação às novas gerações e a aplicação intensiva de inteligência artificial como transformações irreversíveis no comportamento do consumidor. Contudo, ressalta que o pilar fundamental do varejo farmacêutico continuará sendo o atendimento humano qualificado e o acolhimento.
Como a compra de medicamentos decorre de necessidade, e não de desejo, fatores como atendimento atencioso, competitividade de preços, abastecimento garantido e retenção de colaboradores capacitados permanecem como os principais diferenciais de fidelização no mercado.