Revista da Farmácia

Como transformar sua drogaria em um hub de saúde

Foto: Divulgação

A transformação das farmácias em pontos de atenção à saúde primária já é uma realidade em diversas redes, como resposta direta às necessidades da população. Em um cenário de sobrecarga do sistema público e dificuldade de acesso a serviços básicos, a drogaria se aproxima da comunidade ao resgatar um papel tradicional: o do farmacêutico como figura confiável e acessível.

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Esse retorno às origens se integra à oferta de novos serviços, consolidando o ponto de venda também como ponto de cuidado.

“A drogaria é um estabelecimento de saúde. E o farmacêutico está ali para isso — para orientar, avaliar interações medicamentosas, acompanhar o uso racional de medicamentos e acolher o paciente em momentos de dúvida ou vulnerabilidade”, afirma Aline Alcântara, farmacêutica clínica e consultora do Grupo AMR.

Com a expansão desse modelo, drogarias em todo o país vêm se estruturando para oferecer triagem, monitoramento, exames laboratoriais, vacinação, orientação terapêutica e demais serviços farmacêuticos — transformando a experiência do consumidor e ampliando o impacto social do setor.

Para o gestor da farmácia independente, é comum surgir a dúvida: por onde começar? O que a legislação permite? Que estrutura é necessária? Quais são os ganhos reais?

Este conteúdo reúne orientações práticas a partir da experiência do Grupo AMR — responsável pelas redes Drogaria Americana, Poupe Já e Farma Justa — que já opera nesse modelo em vários estados e oferece suporte completo para implementação, incluindo capacitação, adequação sanitária e acompanhamento de resultados.

A importância da transformação

Para Aline Alcântara, a transformação do ponto de venda em um centro de cuidado vai muito além do faturamento. “O maior ganho é a relevância. A drogaria passa a ser referência na comunidade. O paciente confia, volta, indica. E isso muda a dinâmica do negócio por completo”, destaca.

Ela reforça que os serviços clínicos não substituem o SUS, mas ajudam a desafogar o sistema, especialmente em regiões com baixa cobertura ou longas filas de atendimento. “A farmácia passa a ocupar um papel complementar: resolvemos o que é da competência do farmacêutico e, quando necessário, encaminhamos. Mas só de acolher o paciente, escutar e orientar corretamente, já fazemos muito pela saúde pública”.

Como começar: as três etapas do modelo

A estruturação de um hub de saúde pode acontecer por etapas, conforme o nível de complexidade e o investimento. Segundo Aline, o Grupo AMR trabalha com três níveis:

Nível Básico

Nível Intermediário

Nível Avançado

Aline explica que há drogarias do Grupo AMR atuando em todos esses níveis. “Temos unidades com serviços clínicos completos, exames laboratoriais, salas de vacinação e demais atendimentos. Mas também temos farmácias menores, que começaram apenas com aferição de pressão arterial, injetáveis, perfuração de lóbulo e orientações básicas — e já colhem bons resultados. O importante é dar o primeiro passo com segurança”.

Suporte às drogarias

As unidades que adotam o modelo recebem apoio completo, incluindo:

Aline reforça que o acompanhamento é contínuo: “A gente não entrega o modelo e vai embora. Acompanha junto. Cada drogaria tem uma realidade, e a implantação precisa ser personalizada”.

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Segundo ela, os resultados são consistentes: “Drogarias com serviços estruturados têm tíquete médio maior, mais fidelização e maior reconhecimento da comunidade. O farmacêutico vira referência. Isso impacta tudo: marca, movimento, margem, propósito”.

Ela conclui: “Não é só sobre aplicar vacinas ou fazer testes. É sobre posicionar a drogaria como um elo de saúde contínua na comunidade. E isso é possível, com estrutura, apoio e protagonismo profissional”.

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