Revista da Farmácia

Apreensão de canetas emagrecedoras cresce 20 vezes em dois anos

Foto: Divulgação

O avanço do uso de medicamentos injetáveis para o tratamento da obesidade e do diabetes trouxe novos desafios para a cadeia logística da saúde. Além das preocupações relacionadas à comercialização irregular desses produtos, especialistas alertam para um aspecto que costuma passar despercebido: a conservação adequada durante o transporte e o armazenamento.

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Dados da Polícia Federal, obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação e divulgados pela imprensa, mostram que, nos cinco primeiros meses de 2026, o número de apreensões já superou mais que o dobro do registrado em todo o ano de 2025. Os registros passaram de 9 ocorrências em 2024 para 335 em 2025 e, em 2026, já somam 758, um aumento de aproximadamente 20 vezes em relação a 2024.

Recentemente, uma apreensão de tirzepatida de origem paraguaia envolveu cerca de 7 mil ampolas escondidas em meio a centenas de celulares e notebooks.

Por se tratarem de medicamentos biológicos termossensíveis, esses produtos precisam permanecer dentro de uma faixa de temperatura controlada desde a fabricação até o momento da aplicação. Qualquer interrupção nesse processo pode comprometer sua estabilidade e, consequentemente, a eficácia do tratamento.

Para Liana Montemor, farmacêutica e diretora técnica do Grupo Polar, empresa especializada em soluções para cadeia fria, a procedência do medicamento e a qualidade da logística devem ser analisadas em conjunto.

“Quando falamos de medicamentos biológicos, não basta saber se o produto é original. É indispensável que ele tenha permanecido dentro das condições de temperatura recomendadas durante toda a jornada logística. A quebra da cadeia fria pode ocorrer em qualquer etapa, desde a armazenagem até o transporte e a entrega ao paciente, comprometendo um tratamento que, muitas vezes, representa um investimento significativo para quem o utiliza.”

O alerta ganha ainda mais importância em um momento de forte expansão desse mercado. Com a popularização desses tratamentos e o aumento da demanda, cresce também a circulação de produtos adquiridos fora dos canais oficiais, o que dificulta a rastreabilidade das condições de armazenamento e transporte.

Segundo Liana, diferentemente de outros medicamentos, os biológicos podem sofrer alterações em sua estrutura e eficácia sem apresentar sinais visíveis.

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“Na maioria das vezes, o paciente não consegue identificar que houve alguma exposição inadequada à temperatura. A embalagem pode estar intacta e o produto aparentemente normal, mas isso não significa que suas características foram preservadas. Por isso, a rastreabilidade e o controle térmico são tão importantes.”

A executiva explica que manter a cadeia fria exige muito mais do que o uso de embalagens refrigeradas. É necessário empregar soluções térmicas qualificadas, monitoramento contínuo da temperatura, protocolos específicos para cada operação e um planejamento logístico capaz de preservar as condições exigidas pelo fabricante durante todo o percurso.

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