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Varejo farmacêutico fatura R$ 265,9 bilhões e mantém trajetória de crescimento no Brasil

Varejo farmacêutico fatura R$ 265,9 bilhões e mantém trajetória de crescimento no Brasil

Evento Outlook 2026, São Paulo

O varejo farmacêutico brasileiro movimentou R$ 265,9 bilhões nos 12 meses encerrados em agosto de 2026 (MAT 08/2026), com crescimento de 12,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados da Close-up Brasil, apresentados durante o Outlook 2026, tradicional evento da companhia realizado em São Paulo no dia 21/10.

O resultado coloca as farmácias na liderança entre os canais de comercialização do mercado farmacêutico nacional, que alcançou R$ 424,4 bilhões, com expansão de 16,4%, com base em dados consolidados do setor.

As farmácias concentram 62,6% do faturamento total, enquanto o canal hospitalar responde por 31,3% e os demais canais, por 6%. Em volume, o mercado brasileiro movimentou 10,3 bilhões de unidades, avanço de 2,1% na comparação anual.

Os números mostram que o crescimento do setor ocorre em ritmos diferentes quando se comparam faturamento e volume. No varejo, essa diferença reforça a importância de acompanhar não apenas a quantidade de produtos vendidos, mas também o desempenho das categorias e o valor das vendas.

Medicamentos sob prescrição lideram o faturamento

Entre as categorias comercializadas pelas farmácias, os medicamentos sob prescrição (MPX) apresentam o maior faturamento. O segmento movimentou R$ 149,1 bilhões no período, o equivalente a 56,1% das vendas do canal, com crescimento de 17,5%.

Em volume, foram comercializados 3,7 bilhões de unidades, correspondentes a 43,2% do total vendido pelas farmácias.

A categoria de não medicamentos (NMED), que inclui itens de cuidados pessoais e produtos para bebês, registrou faturamento de R$ 79,5 bilhões, representando 29,9% do varejo farmacêutico. O crescimento foi de 8,2%. Em volume, foram 3,4 bilhões de unidades, ou 38,8% do total.

Já os medicamentos isentos de prescrição (MIPs/OTC) movimentaram R$ 37,3 bilhões, com alta de 5,8%. A categoria representa 14% do faturamento das farmácias e respondeu por 1,6 bilhão de unidades vendidas, equivalentes a 17,9% do volume.

A diferença de desempenho entre as categorias evidencia a importância de uma gestão comercial atenta ao perfil de consumo, ao mix de produtos e às particularidades de cada operação. Para o varejista, acompanhar esses indicadores ajuda a identificar quais segmentos concentram o crescimento e onde pode haver oportunidades de aprimoramento da estratégia de vendas.

Projeções apontam expansão até 2031

As estimativas para o varejo farmacêutico brasileiro indicam continuidade do crescimento nos próximos anos. Considerando o faturamento projetado para medicamentos e não medicamentos, o mercado deve passar de R$ 246,1 bilhões em 2025 para R$ 278,1 bilhões em 2026 e alcançar R$ 432,6 bilhões em 2031.

Se confirmada, a projeção representa um avanço de aproximadamente 76% entre 2025 e 2031. Os valores futuros, porém, são estimativas e dependem das condições econômicas e da evolução do mercado.

Para as farmácias, esse cenário reforça a necessidade de planejamento de longo prazo, gestão eficiente de estoques, acompanhamento das categorias de maior participação e preparação das equipes para atender às mudanças no comportamento do consumidor.

Canal digital movimenta R$ 14,4 bilhões

A comercialização digital também ocupa espaço relevante no mercado farmacêutico. O canal digital soma R$ 14,4 bilhões em vendas a preço de desconto, considerando R$ 10 bilhões do comércio eletrônico geral de farmácias e R$ 4,4 bilhões das farmácias especiais.

Os números indicam que o digital constitui uma frente importante para o varejo, especialmente para empresas que buscam ampliar os pontos de contato com os consumidores e integrar diferentes canais de atendimento e venda.

Na distribuição de medicamentos sob prescrição, o mercado total alcançou R$ 168 bilhões a preço de desconto, com crescimento de 16,3% e volume de 4,06 bilhões de unidades, alta de 5,5%. Desse montante, R$ 105 bilhões correspondem ao canal farmácias, enquanto R$ 63 bilhões são destinados ao canal hospitalar.

Especialidades ampliam a diversificação do mercado

Outro segmento que merece atenção é o de medicamentos e produtos de especialidades, conhecido como Specialty Care. O mercado totaliza R$ 63 bilhões, dos quais R$ 52,9 bilhões, ou 84%, estão concentrados no canal hospitalar. As farmácias respondem por R$ 10,1 bilhões, equivalentes a 16%.

Dentro desse universo, as farmácias especiais movimentam R$ 4,4 bilhões, sendo 81% desse valor proveniente de produtos de Specialty Care.

Entre as principais áreas terapêuticas desse canal estão os oncológicos, com R$ 1,2 bilhão; os produtos relacionados ao hormônio do crescimento, com R$ 700 milhões; a toxina botulínica, com R$ 600 milhões; e os imunobiológicos, com R$ 500 milhões.

Os dados também apontam R$ 10,1 bilhões em medicamentos biológicos destinados à imunologia no canal privado.

Embora seja um segmento mais específico, o mercado de especialidades evidencia a diversificação das operações farmacêuticas e a existência de modelos de negócio com exigências próprias de acesso, armazenamento, atendimento e acompanhamento dos pacientes.

Crescimento exige atenção à gestão

O desempenho do mercado farmacêutico brasileiro confirma a relevância econômica das farmácias e aponta perspectivas de expansão para os próximos anos. Ao mesmo tempo, os resultados variam entre categorias e canais, o que torna necessário avaliar o mercado para além do faturamento total.

Para o varejista, acompanhar o comportamento das vendas por categoria, compreender a participação dos canais digitais e avaliar oportunidades em segmentos especializados são medidas importantes para orientar decisões comerciais.

Em um mercado em expansão, transformar crescimento setorial em desempenho para cada estabelecimento depende de fatores como planejamento, controle de estoque, estratégia comercial, qualidade do atendimento e capacidade de adaptação às mudanças do consumo.

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