A marca TENA, parte da Essity, lança um estudo sobre incontinência urinária e gravidez no Brasil. A pesquisa “TENA: o impacto das perdas de urina na gravidez e no puerpério” joga luz sobre uma condição que, segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, atinge cerca de 40% das gestantes no país, mas que ainda é marcada por desinformação e estigmas. O levantamento combina etapas qualitativa e quantitativa e revela os impactos físicos, emocionais e sociais da condição na rotina feminina.

O levantamento combinou etapas qualitativa e quantitativa e analisou os impactos físicos, emocionais e sociais da incontinência urinária na rotina feminina. A pesquisa foi conduzida pela Okno Núcleo de Estudos, com entrevistas realizadas com mulheres que vivenciaram perdas espontâneas de urina durante a gestação e no pós-parto.
Foram ouvidas gestantes com mais de 24 semanas (35 a 43 anos), puérperas da mesma faixa etária com filhos de até um ano, e mulheres de 35 a 50 anos com filhos de até sete anos, que desenvolveram a condição durante a gravidez. O objetivo foi compreender percepções, impactos no cotidiano e o nível de informação sobre o tema.
Entre os principais resultados, 95% das entrevistadas afirmam que a condição afetou diretamente sua rotina. Metade relata episódios de vazamento duas a três vezes por semana, geralmente com fluxo considerado muito leve. Ainda assim, 84% já passaram por escapes de forma desprevenida, em situações como no trabalho, em casas de terceiros ou em locais públicos.
As mudanças no dia a dia são expressivas. Antes de sair de casa, 53% relatam ir ao banheiro preventivamente, enquanto 40% procuram se informar sobre a disponibilidade de sanitários no destino. No consumo de líquidos, 45% reduziram a ingestão e 34% evitam beber à noite. O vestuário também foi impactado: 39% mudaram o tipo de roupa, 21% passaram a evitar peças claras ou justas e 5% relataram o uso de duas peças íntimas como forma de prevenção.
O constrangimento aparece como um fator central. No primeiro episódio de escape, 82% relataram sentimentos negativos, como vergonha, desconforto e medo. Muitas compartilham a situação apenas com um círculo restrito, geralmente a mãe ou o parceiro. Embora 73% já soubessem que escapes poderiam ocorrer durante a gravidez — principalmente por orientação médica (47%) —, muitas relatam falta de aprofundamento sobre o tema durante as consultas.
Outro dado relevante é o desconhecimento sobre formas adequadas de manejo: 50% afirmam não saber que existem produtos específicos para incontinência urinária. Parte das entrevistadas relata, inclusive, ter recebido orientação para utilizar absorventes menstruais comuns, alternativa que não atende adequadamente às necessidades de absorção e controle de odor.
Para a ginecologista e consultora do estudo, Joele Lerípio, a falta de informação contribui para o sofrimento silencioso das mulheres. “Embora seja frequente na gestação e no pós-parto, a incontinência urinária não deve ser encarada como algo que a mulher simplesmente precisa aceitar. Existem diferentes abordagens terapêuticas, como fisioterapia pélvica, mudanças comportamentais e, em alguns casos, tratamentos médicos específicos. O primeiro passo é falar sobre o tema e buscar orientação profissional”, explica.
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A médica alerta ainda para os riscos de reduzir o consumo de líquidos sem acompanhamento. “Diminuir a ingestão de água não é uma solução e pode favorecer infecções urinárias e outros problemas. A avaliação individualizada é fundamental para indicar o tratamento mais adequado e melhorar a qualidade de vida da paciente”, completa.
Já Carla Girólamo, gerente de Marketing da TENA no Brasil, destaca que o objetivo do levantamento é ampliar o debate público e promover educação em higiene e saúde. “Falar sobre incontinência urinária é uma questão de bem-estar e qualidade de vida. Ao trazer dados concretos sobre a experiência de mulheres brasileiras, buscamos quebrar o tabu e incentivar a busca por informação e tratamento. Em muitos casos, a condição tem cura e, durante o tratamento, é fundamental utilizar produtos desenvolvidos especificamente para essa necessidade”, afirma.
Os resultados reforçam a importância de ampliar o acesso à informação qualificada no pré-natal e no pós-parto, além de incentivar o diálogo entre mulheres e profissionais de saúde. “Quando 95% das mulheres dizem que a condição impactou sua rotina, estamos falando diretamente de qualidade de vida. Quebrar o tabu é essencial para que mais mulheres busquem orientação, conheçam as possibilidades de tratamento e entendam que não precisam enfrentar os escapes sozinhas”, conclui a executiva.