Revista da Farmácia

Fiscalização da Anvisa em farmácias de manipulação acende alerta para a cadeia logística de termolábeis

Foto: Divulgação

A recente ação fiscalizatória da Anvisa contra quatro farmácias de manipulação, que resultou em suspensões de comercialização, apreensão de lotes e proibição de propaganda, acelerou um movimento que já vinha ganhando força no setor: a busca por parceiros logísticos capazes de operar com o mesmo nível de rigor exigido na produção. Afinal, pouco adianta uma fórmula manipulada com precisão se ela não chega ao paciente nas condições adequadas.

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Entre as irregularidades identificadas pela agência estavam falhas no controle ambiental, ausência de sistemas de qualidade adequados e a produção em escala — prática vedada pelas Boas Práticas de Manipulação, que exigem a individualização de cada fórmula por paciente. O cenário reforça que o setor, em plena expansão no Brasil, precisa de uma cadeia logística à altura do rigor regulatório cobrado.

É nesse contexto que a Temp Log expandiu sua atuação para atender a essa demanda. A empresa, que atua há mais de 35 anos no transporte de substâncias termolábeis para a indústria farmacêutica, é a única operadora de cadeia fria do país especializada nesse perfil de carga — e foi justamente essa expertise que passou a atrair as farmácias magistrais.

“Começamos a receber contatos de farmácias de manipulação que buscavam serviços de transporte, já que o mercado tradicional possui limitações com esse tipo de carga termolábil refrigerada. Para nós, isso já é uma especialidade: atuamos com toxinas, insumos biológicos e outros medicamentos de cadeia fria há décadas”, explica o diretor Comercial e de Operações da empresa e especialista em cadeia fria e logística farmacêutica, Ricardo Canteras.

O movimento acompanhou o crescimento do segmento de análogos de GLP-1, como a tirzepatida, que até recentemente tinha sua manipulação autorizada e gerou uma demanda expressiva por logística especializada. No entanto, a entrada nesse setor trouxe também novos desafios técnicos: diferentemente dos fármacos industrializados, os produtos magistrais apresentam embalagens mais frágeis e exigem cuidados adicionais no acondicionamento para evitar avarias durante o transporte.

“A principal diferenciação está no controle da temperatura em trânsito. Os produtos de manipulação exigem atenção adicional: dependendo do modo de preparo, a embalagem precisa de um cuidado ainda maior para evitar danos, além do controle dos elementos refrigerantes para garantir a manutenção entre 2 °C e 8 °C”, detalha Canteras.

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Comprometida com os mais altos padrões regulatórios, a Temp Log também investiu em novos equipamentos e adequações operacionais para atender às exigências sanitárias específicas desse segmento, reforçando sua estrutura para garantir rastreabilidade e conformidade em cada etapa da entrega.

Para o especialista, o endurecimento regulatório é um movimento positivo para o setor como um todo. “Apesar das notícias sobre irregularidades em alguns laboratórios, a grande maioria das farmácias magistrais é formada por empresas sérias, que respeitam rigorosamente as regras da Vigilância Sanitária e da Anvisa. O que notamos é justamente esse movimento de qualificação em todas as etapas, incluindo a contratação de transportadoras especializadas para garantir a integridade dos medicamentos estéreis injetáveis até o paciente”, afirma.

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