Revista da Farmácia

Nutracêuticos ganham espaço nas farmacêuticas e aceleram nova fronteira de crescimento da indústria

Foto: Divulgação

A busca por novas fontes de receita e a mudança no comportamento do consumidor estão fazendo com que o mercado de nutracêuticos — suplementos e alimentos derivados de fontes alimentares naturais — passe a ocupar posição estratégica nos planos de crescimento da indústria farmacêutica. Além de ampliar portfólios, o segmento permite que essas empresas expandam sua atuação para além do tratamento de doenças, acompanhando a crescente demanda por soluções voltadas à prevenção e à promoção da saúde.

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Impulsionado pelo envelhecimento da população e pela valorização da saúde preventiva, por meio de produtos com comprovação científica, o setor vive um ciclo de expansão que atrai investimentos em inovação, pesquisa e desenvolvimento. Segundo levantamento da consultoria IMARC Group, o mercado nacional de nutracêuticos — segmento que inclui também alimentos e bebidas funcionais — movimentou cerca de US$ 11,5 bilhões em 2025 e deve alcançar US$ 19,4 bilhões até 2034, com crescimento médio anual de 5,99%.

Os suplementos alimentares também mantêm ritmo acelerado de expansão. Dados divulgados pela BRASNUTRI, com base em levantamento da Euromonitor International, mostram que o mercado brasileiro cresceu 15% em 2025, movimentando aproximadamente R$ 7,6 bilhões. A expectativa é de que esse volume alcance R$ 13,8 bilhões até 2030, consolidando o Brasil entre os cinco maiores mercados globais do segmento.

A convergência entre os dois setores também é favorecida pela proximidade de seus modelos de desenvolvimento. Pesquisa científica, controle de qualidade, rastreabilidade de ingredientes, validação de eficácia e atendimento às exigências regulatórias são competências já consolidadas na indústria farmacêutica e que passaram a ser cada vez mais valorizadas no desenvolvimento de nutracêuticos. Esse cenário cria oportunidades para que farmacêuticas ampliem seus portfólios com produtos de maior valor agregado, reunindo inovação tecnológica e respaldo científico.

De acordo com Francisco Neves, CEO da Pronutrition, indústria especializada no desenvolvimento e na fabricação de suplementos para algumas das maiores marcas do mercado, a convergência entre as indústrias farmacêutica e nutracêutica é um movimento natural.

“O cuidado com a saúde não começa quando a doença aparece. O consumidor busca soluções para envelhecer melhor e melhorar a qualidade de vida ao longo dos anos. Os nutracêuticos permitem que a indústria farmacêutica amplie sua atuação para esse novo momento do cuidado, utilizando a mesma base de ciência, pesquisa e inovação que já a caracteriza”, destaca Neves.

Leia também: Mercado de suplementação cresce no Brasil, mas falhas de estratégia ameaçam novas marcas

O envelhecimento da população brasileira é outro fator que fortalece esse movimento. Dados do IBGE mostram que o número de pessoas com 65 anos ou mais cresceu 57,4% entre 2010 e 2022, ampliando a demanda por soluções voltadas ao envelhecimento saudável, que unem mobilidade, cognição e prevenção de doenças crônicas. Nesse cenário, o interesse da indústria farmacêutica volta-se para categorias capazes de acompanhar o consumidor durante toda a jornada de cuidados com a saúde, e não apenas durante o tratamento de enfermidades.

Para Neves, o diferencial competitivo das empresas estará justamente na geração de conhecimento.

“O mercado está cada vez mais exigente. Não basta lançar novos produtos; é preciso investir em pesquisa, comprovação de eficácia, qualidade dos ingredientes e desenvolvimento tecnológico. Mais do que diversificar receitas, a oportunidade para as farmacêuticas está em ampliar seu papel na jornada de saúde da população, oferecendo soluções preventivas e baseadas em ciência”, finaliza o CEO.

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