Revista da Farmácia

Varejo farmacêutico avança com microlearning para treinar equipes

Foto: Divulgação

O microlearning, metodologia baseada em conteúdos curtos e objetivos, consumidos por computadores, tablets ou smartphones, tem ganhado espaço como forma de tornar a aprendizagem mais acessível e integrada à rotina de trabalho no varejo farmacêutico. Segundo levantamento da Association for Talent Development (ATD), 73% das empresas farmacêuticas já utilizam o modelo de forma ativa em suas estratégias de treinamento e desenvolvimento, especialmente em programas de compliance e conformidade regulatória.

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A alta adesão ao microlearning está relacionada aos desafios logísticos do setor. Com equipes distribuídas por milhares de lojas, diferentes turnos de trabalho e operações espalhadas por um país de dimensões continentais, garantir que vendedores, atendentes e farmacêuticos tenham acesso rápido a informações atualizadas tornou-se uma necessidade estratégica para redes de farmácias e indústrias farmacêuticas.

Em 2025, o varejo farmacêutico brasileiro movimentou R$ 246,1 bilhões, crescimento de 11,3% em relação ao ano anterior, segundo dados da IQVIA, líder global em análise do setor de saúde. Em um segmento em expansão constante e que incorpora regularmente novos medicamentos, serviços e categorias de produtos, um dos principais desafios está na capacitação contínua dos profissionais que atuam na linha de frente do atendimento ao consumidor.

Segundo Iván López, vice-presidente de Vendas Corporativas Globais da ODILO, edtech espanhola especializada em aprendizagem digital, o microlearning oferece uma resposta eficaz a essas demandas ao permitir que o conhecimento chegue aos colaboradores de forma mais ágil e personalizada. “Em muitos casos, retirar profissionais de suas atividades para treinamentos longos e presenciais pode impactar a operação das lojas, o que torna ainda mais relevante a adoção de formatos flexíveis e integrados ao fluxo de trabalho”, destaca.

Aprendizagem contínua no fluxo de trabalho

Iván López explica que nem sempre é possível reunir equipes para treinamentos longos e presenciais. Por isso, o microlearning responde a uma limitação comum dos modelos tradicionais de capacitação, frequentemente baseados na leitura de extensos documentos técnicos e Procedimentos Operacionais Padrão (POPs), típicos da indústria farmacêutica. “Ao transformar conteúdos complexos em vídeos curtos, quizzes e módulos focados em etapas críticas dos processos, a metodologia facilita a assimilação e a retenção do conhecimento, além de se adaptar ao ritmo do dia a dia dos colaboradores”, afirma.

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A evolução das plataformas digitais também tem ampliado as possibilidades de capacitação corporativa. O microlearning favorece o aprendizado just in time, permitindo que os profissionais consultem conteúdos específicos imediatamente antes de executar uma atividade, conhecer um novo produto ou atender um cliente. Essa abordagem reduz a necessidade de treinamentos extensos fora do ambiente de trabalho e minimiza impactos na produtividade das operações — um desafio recorrente em setores que dependem de atualização constante das equipes.

Conteúdo offline amplia alcance

Outro desafio relevante para o setor está relacionado à conectividade. Apesar do avanço da digitalização no país, nem sempre os profissionais conseguem acessar conteúdos online de forma contínua. Por isso, cresce o interesse por plataformas que também funcionem offline, com sincronização automática dos dados quando a conexão é restabelecida.

“A tecnologia deve eliminar barreiras de acesso ao conhecimento. Quando o conteúdo está disponível em qualquer dispositivo, inclusive sem conexão à internet, as organizações ampliam o alcance dos programas de capacitação e garantem uma experiência de aprendizagem mais inclusiva. Isso é especialmente importante em setores que precisam disseminar atualizações técnicas e regulatórias de forma rápida e consistente”, complementa Iván López.

À medida que o varejo farmacêutico amplia seu papel dentro do ecossistema de saúde, a qualificação contínua das equipes tende a ganhar ainda mais relevância. Nesse cenário, modelos de aprendizagem mais ágeis, personalizados e acessíveis se consolidam como uma resposta eficaz às necessidades de um setor cada vez mais dinâmico, descentralizado e em constante evolução.

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