Estudo revela desafios que travam eficiência e escalabilidade no setor farmacêutico

Pesquisa realizada com executivos do setor identifica baixo incentivo à inovação e aponta soluções para integrar a cadeia e impulsionar o crescimento dos negócios
Estudo revela desafios que travam eficiência e escalabilidade no setor farmacêutico
Foto: Divulgação
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O setor farmacêutico brasileiro opera com uma assimetria estrutural de incentivos que dificulta a coordenação entre indústria, distribuição e varejo, gerando ineficiências sistêmicas ao longo de toda a cadeia de valor. Essa é a principal conclusão do estudo Perspectivas sobre inovação do setor farmacêutico, conduzido em coautoria pelo executivo do setor Adriano Prado e pela consultoria EloGroup.

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A pesquisa foi realizada entre setembro e novembro de 2025 com 23 executivos C-level do setor farmacêutico brasileiro, sendo 12 da indústria, sete da distribuição e do varejo e quatro de associações, consultorias e centros de pesquisa.

O diagnóstico central do levantamento aponta que a desarticulação da cadeia se manifesta em três dimensões principais: desintegração do portfólio de produtos, fragmentação do supply chain — a cadeia de processos que leva um produto do fornecedor ao consumidor final — e subaproveitamento da relação com médicos e pacientes. Apesar da disponibilidade de tecnologia, estratégia, processos, dados e ferramentas digitais ainda operam de forma pouco integrada.

A dinâmica desigual de inovação entre os elos da cadeia reforça esse cenário. A indústria farmacêutica, especialmente as multinacionais, atua com margens mais robustas e sob forte regulação, o que reduz o incentivo à inovação para além do desenvolvimento de produtos e moléculas. O momento predominante é de consolidação e estabilização, com foco em eficiência operacional e otimização de processos existentes.

Já a distribuição e o varejo enfrentam margens comprimidas — estimadas entre 2% e 3% na distribuição e entre 5% e 8% no varejo — além de intensa pressão competitiva. Nesse contexto, automação e redução de custos deixam de ser iniciativas estratégicas opcionais e passam a ser condições de sobrevivência.

Fragmentação da cadeia e impactos operacionais

Essa dinâmica desigual reflete diretamente no supply chain. “A falta de dados integrados, visibilidade de estoque em tempo real e previsões colaborativas de demanda resulta em excesso de estoque em algumas regiões, ruptura em outras e aumento do capital de giro imobilizado”, ressalta Adriano Prado.

Além disso, em muitos casos, o portfólio de produtos das lojas passa a ser definido mais pela disponibilidade de crédito do que pela demanda real do consumidor, comprometendo a performance operacional e acelerando a concentração do mercado.

O estudo também evidencia o esgotamento do modelo tradicional de propaganda médica. A elevação contínua do custo da força de vendas, combinada ao retorno marginal decrescente por visita e à baixa mensuração de resultados, pressiona o ROI promocional e reduz a capacidade de geração sustentada de demanda. As iniciativas de digitalização implementadas até o momento não corrigiram esse desalinhamento estrutural.

Inteligência Artificial: potencial reconhecido, maturidade ainda inicial

Embora a Inteligência Artificial seja reconhecida pelos executivos como um possível vetor de transformação, o estudo mostra que sua adoção no setor farmacêutico brasileiro permanece, majoritariamente, em estágio experimental.

A maioria das empresas opera com projetos-piloto isolados, concentrados na automação de processos administrativos e em análises pontuais de dados, sem integração estruturada ao core do negócio.

“A ausência de governança clara, dados padronizados, competências especializadas e métricas consistentes de retorno sobre investimento limita a escalabilidade dessas iniciativas”, destaca Davi Almeida, sócio da EloGroup.

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Segundo o levantamento, as principais barreiras à consolidação da IA são organizacionais e culturais, e não tecnológicas. A falta de critérios comuns de priorização, métricas padronizadas de sucesso, patrocínio executivo consistente e profissionais especializados dificulta a transformação da tecnologia em capacidade institucional.

Para os executivos entrevistados, a prioridade não é ampliar o número de experimentos, mas estruturar governança, critérios de priorização e integração estratégica. “Entender como a inovação, os dados e a integração entre indústria, distribuição e varejo podem destravar eficiência e crescimento certamente indicará quais movimentos estratégicos devem guiar o futuro do setor nos próximos anos”, conclui Almeida.

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