Entenda as fases que um medicamento percorre antes de chegar às farmácias

Medicamentos em supermercados: o impacto na cadeia de distribuição e armazenamento
Foto: Divulgação
Publicidade

Da bancada do laboratório até a prescrição médica, um novo medicamento pode levar mais de uma década para chegar à população. Esse percurso envolve anos de pesquisa, testes rigorosos e acompanhamento contínuo, desde a avaliação do desempenho e da segurança da molécula nas etapas iniciais até o monitoramento dos pacientes após a comercialização. Além disso, conta, cada vez mais, com uma rede de parceiros que atua para garantir que o tratamento aprovado chegue a quem precisa.

Whatsapp Image 2026 06 24 At 08.19.00
Espaço publicitário

A curiosidade sobre como um medicamento é desenvolvido cresceu nos últimos anos, especialmente após a pandemia, quando termos como “fase clínica” e “estudo em voluntários” passaram a fazer parte do cotidiano. Mas, afinal, o que acontece antes de um medicamento ser aprovado e como ele chega ao paciente?

O desenvolvimento de um medicamento é dividido em etapas que começam ainda no laboratório e avançam para estudos em seres humanos. De acordo com dados amplamente referenciados na literatura farmacêutica, citados por instituições como a Unicamp e a Interfarma, a cada 10 mil moléculas testadas, apenas uma se torna um medicamento, em um processo que pode levar entre 10 e 15 anos até a comercialização.

Tudo começa antes dos testes em humanos

Chatgpt Image 13 De Jul. De 2026, 11 57 03
Foto: Divulgação

Antes de qualquer aplicação em pacientes, os pesquisadores realizam estudos chamados pré-clínicos. Nessa etapa, o objetivo é entender como a substância se comporta em células e modelos animais, além de avaliar possíveis efeitos tóxicos. Também é nesse momento que os cientistas definem formulações e dosagens, além de analisarem se a molécula apresenta potencial terapêutico. Somente após essa fase têm início os estudos clínicos.

Fase 1: segurança em primeiro lugar

A primeira fase clínica marca o início dos testes em seres humanos. Geralmente, participam pequenos grupos de voluntários saudáveis. O principal objetivo é avaliar a segurança do medicamento, compreender como o organismo absorve a substância e identificar possíveis efeitos colaterais. Também são definidos parâmetros relacionados à dose e à tolerância.

Fase 2: o medicamento funciona?

Após a comprovação inicial da segurança, os estudos avançam para pacientes que apresentam a condição que o medicamento pretende tratar. Nessa etapa, os pesquisadores avaliam a eficácia do tratamento e continuam monitorando os riscos. O número de participantes aumenta e começam as análises sobre resposta clínica, dose ideal e efeitos adversos.

Fase 3: comparação em larga escala

Considerada uma das etapas mais longas e custosas do desenvolvimento farmacêutico, a fase 3 envolve centenas ou milhares de pacientes distribuídos em diferentes centros de pesquisa. O objetivo é confirmar os resultados obtidos nas fases anteriores, comparar o novo tratamento com terapias já existentes e reunir evidências robustas para submissão às agências reguladoras, como a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Fase 4: monitoramento continua mesmo após a aprovação

Mesmo após a aprovação e a chegada do medicamento ao mercado, o acompanhamento não termina. Nessa etapa, conhecida como farmacovigilância, especialistas monitoram o comportamento do medicamento em larga escala, observando efeitos raros, reações adversas e até novas possibilidades de uso. É nesse momento que ocorre o acompanhamento contínuo da segurança e da efetividade do tratamento em condições reais de utilização.

Da aprovação ao acesso do paciente

Após a aprovação regulatória, surge um novo desafio: garantir que o tratamento chegue, de fato, aos pacientes. É nesse contexto que entram os Programas de Suporte ao Paciente (PSPs), que ajudam a conectar a inovação terapêutica à prática clínica, facilitando o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.

“Os Programas de Suporte ao Paciente representam a etapa de entrada de uma nova terapia no mercado, sem perder de vista a segurança e a eficácia nesse momento”, explica Victor Gadelha, superintendente de Pesquisa Clínica e Soluções de Dados da Dasa, líder em medicina diagnóstica no país.

Na prática, o acesso a exames por meio dos programas de suporte, como testes genéticos, por exemplo, torna-se decisivo para aumentar a assertividade terapêutica e reduzir o tempo até o início do tratamento mais adequado à condição do paciente. O resultado é uma jornada de cuidado mais ágil e, em muitos casos, melhores desfechos clínicos.

Desde 2020, mais de 86 mil pacientes passaram por exames diagnósticos viabilizados por esses programas. Nesse contexto, a Dasa atua em parceria com mais de 30 indústrias farmacêuticas e participa de mais de 70 Programas de Suporte ao Paciente, concentrados principalmente nas áreas de oncologia, neurologia e doenças raras, que representam 77% das iniciativas.

Leia também: Apreensão de canetas emagrecedoras cresce 20 vezes em dois anos

“Essa colaboração com a indústria farmacêutica tem, acima de tudo, o propósito de colocar o paciente no centro, encurtando sua jornada de cuidado”, reforça Gadelha.

A operação por trás desse acesso exige precisão e alcance nacional. Com mais de 800 unidades e mais de 40 marcas de medicina diagnóstica espalhadas pelo país, a capilaridade da Dasa permite que pessoas em regiões distantes também tenham acesso aos exames necessários para avançar em sua jornada de cuidado.

“Nosso papel é viabilizar, com eficiência e qualidade, toda a etapa diagnóstica, oferecendo uma gestão de ponta a ponta, inclusive nas regiões mais afastadas”, destaca Andresa Forte, gerente de Operações em Pesquisa e Soluções de Dados da Dasa.

Pesquisa clínica na Dasa

Além de atuar nos Programas de Suporte ao Paciente, a Dasa conduz estudos clínicos por meio do CPClin — Centro de Pesquisas Clínicas, que possui mais de duas décadas de atuação.

Atualmente, o centro mantém estudos abertos para recrutamento em diversas áreas terapêuticas, como neurologia, cardiologia, endocrinologia e reumatologia. Entre as condições estudadas estão esclerose múltipla, encefalite autoimune, doença de Alzheimer em estágio inicial, doença de Parkinson, obesidade, lúpus eritematoso sistêmico e doenças cardiovasculares.

“Um dos principais desafios da pesquisa clínica é o recrutamento de pacientes. Às vezes, acessamos mil pessoas para conseguir apenas uma, devido aos diversos critérios de inclusão e variáveis dos estudos”, explica Gadelha.

Para muitos pacientes — especialmente aqueles com doenças raras ou em tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS) — participar de uma pesquisa clínica pode representar o acesso a uma medicação ainda não disponível no mercado e que, em alguns casos, pode ser a única alternativa terapêutica para determinada condição.

Foto de Revista da Farmácia

Revista da Farmácia

Por meio da Revista da Farmácia, empresários e profissionais se mantêm informados sobre as mais eficientes técnicas de planejamento, gestão, vendas, boas práticas farmacêuticas, entre outros temas.
Compartilhe
Publicidade

Receba as principais notícias direto no seu celular

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Veja também

Com mais de 40% das famílias consumindo marcas próprias, redes farmacêuticas ampliam investimentos em linhas exclusivas e fortalecem parcerias com a indústria.
Documento destaca resultados no descarte correto de medicamentos e avanços na redução das emissões de gases de efeito estufa.
Rede amplia sua presença nas zonas Norte e Sudoeste da cidade e abre oportunidades para profissionais.
Especialistas alertam que o setor farmacêutico deve iniciar desde já o processo de adaptação.
Tecnologia fortalece a atuação do setor farmacêutico na triagem das hepatites B e C durante o Julho Amarelo.
Com nova identidade, SKUs inéditos e campanha 360, rede reforça portfólio proprietário e aposta na categoria como vetor de relacionamento e recorrência.
Não existem mais matérias para exibir.
Publicidade
Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, vamos assumir que você está feliz com isso.