Transporte ilegal de medicamentos termossensíveis expõe riscos à saúde

Grupo Polar destaca que falhas no controle de temperatura durante o transporte podem comprometer a eficácia de fármacos como o Mounjaro.
Transporte ilegal de medicamentos termossensíveis expõe riscos à saúde
Foto: Divulgação
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O aumento expressivo na procura por medicamentos indicados para o tratamento do diabetes tipo 2 — e que também vêm sendo utilizados para emagrecimento — tem acendido um alerta no setor de saúde. Casos recentes de apreensão de produtos transportados de forma clandestina evidenciam não apenas um problema de ilegalidade, mas um risco real à saúde pública: a quebra da cadeia fria e a consequente perda de eficácia terapêutica.

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Entre os medicamentos mais visados está o Mounjaro (tirzepatida), um fármaco injetável de alto custo e uso controlado, que exige condições rigorosas de armazenamento e transporte. Em janeiro, um caso chamou a atenção ao revelar o transporte irregular de centenas de ampolas escondidas em almofadas de pescoço dentro de um ônibus de turismo, no interior de São Paulo. Episódios como esse reforçam a dimensão do mercado paralelo e seus potenciais impactos.

No mesmo período, uma mulher foi presa ao ser flagrada transportando 246 ampolas de Mounjaro escondidas em almofadas de pescoço, em um ônibus de turismo na Rodovia Raposo Tavares, em Assis (SP). O caso chamou a atenção pela forma improvisada e inadequada do transporte.

Segundo Liana Montemor, farmacêutica e diretora técnica e estratégica em cold chain do Grupo Polar, o maior risco não está apenas na origem do produto, mas nas condições às quais ele foi submetido ao longo do trajeto. “Medicamentos como o Mounjaro integram a cadeia de frio e precisam ser mantidos entre 2 °C e 8 °C durante a fabricação, o armazenamento e o transporte. Qualquer variação fora desses parâmetros pode comprometer a estabilidade da molécula, reduzindo a potência terapêutica e, em casos mais graves, afetando a segurança do paciente”, explica.

A especialista ressalta que, embora a bula permita um período limitado fora da refrigeração em condições específicas e controladas, essa previsão é destinada ao uso pelo paciente — e não ao transporte irregular. “No comércio clandestino, não há qualquer garantia de controle de tempo ou temperatura. O produto pode ter sido exposto a calor excessivo, congelamento ou oscilações repetidas, o que chamamos de excursões térmicas”, afirma.

Leia também: Quebra da cadeia de segurança e excursões térmicas comprometem a eficácia e a integridade de medicamentos

As excursões térmicas são especialmente preocupantes porque seus efeitos são invisíveis. A embalagem pode aparentar integridade, mas o medicamento já pode ter perdido parte de sua eficácia. Para o paciente, isso pode resultar em falha no tratamento, frustração com o resultado esperado, prejuízo financeiro e, sobretudo, riscos à saúde.

A aquisição de medicamentos deve ser feita exclusivamente em estabelecimentos licenciados, mediante prescrição médica e com garantia de procedência. “A saúde começa pela escolha consciente do que se consome. Em se tratando de medicamentos termolábeis, confiar na cadeia regular é confiar na eficácia e na segurança do tratamento”, conclui.

Foto de Revista da Farmácia

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