EnglishPortugueseSpanish

Dia Mundial de Combate ao Câncer destaca os desafios do câncer no Brasil

O Brasil amarga ainda a incidência de cânceres já extintos em países desenvolvidos como o de colo de útero, típicos de países de terceiro mundo.

A Sociedade Brasileira de Cancerologia está enviando um documento para o Ministro da Saúde, Câmara dos Deputados e Senado Federal alertando para a necessidade de priorização do câncer nas políticas de prevenção e atendimento no país e lança a campanha pela FILA ZERO no atendimento ao câncer de mama, o 2 º de maior incidência entre mulheres no Brasil com 59 mil casos por ano.

Segundo Nise Yamaguchi, oncologista e vice-presidente da SBC, existe um gargalo no diagnóstico e também no tratamento do câncer no país. “Temos casos de pacientes com suspeita de câncer de mama que estão na fila há 11 meses para uma biopsia e outras que levaram 120 dias para o início do tratamento após o diagnóstico, descumprindo a Lei 7232, que prevê 60 dias entre o diagnóstico e o início do tratamento. Esse tempo de espera pode significar a diferença entre a vida e a morte”, alerta a oncologista. Para ela, é imprescindível um programa nacional integrado das prefeituras, estados e governo federal para combater as filas que se avolumam nas cidades. 

As dificuldades frente aos desafios enfrentados para cumprimento da lei levaram a SBC a realizar uma audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo e encaminhar a luta pela FILA ZERO às autoridades federais.

Para Ricardo Antunes, presidente da SBC, o país precisa rever os investimentos e o gerenciamento dos recursos na questão do câncer. “Políticas públicas de prevenção são falhas e o atendimento tardio um fato gravíssimo. No Brasil, 60% dos pacientes que chegam ao SUS para se tratar de um câncer, chegam nos estágios 3 e 4, causando sofrimento, aumentando o risco de morte e o desperdício de recursos públicos, pois pacientes nesses estágios custam 19 vezes mais para os cofres do governo”, alerta.

O diagnóstico tardio incide na economia de forma drástica, retirando milhares de pessoas produtivas do mercado de trabalho e gerando custos milionários para o SUS e para a Previdência Social. Em 2016, o Ministério da Saúde informou que gastou R$ 3,3 bilhões em tratamento para o câncer.

“A sociedade científica mundial é unânime no que se refere à importância fundamental do diagnóstico precoce para a cura do câncer”, destaca o presidente da SBC.

Questão de saúde pública

Para o presidente da Sociedade Brasileira de Cancerologia, o câncer é uma questão de saúde pública e somente políticas de saúde integradas com ações da sociedade civil organizada poderão conter o avanço da doença que se agrava com o envelhecimento da população brasileira.

De acordo com o IBGE, a população brasileira com 60 anos ou mais alcançará 66,5 milhões até a metade desse século. “Trata-se de um número preocupante e que contribuirá para o aumento da incidência de câncer no país, pois o câncer está associado ao envelhecimento celular”, destaca Antunes.

A incidência de câncer no Brasil e no mundo é uma questão de saúde pública. Os dados são preocupantes: 14 milhões de novos casos da doença são registrados a cada ano em todo o mundo, aponta a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Atualmente, o câncer é a segunda causa de mortes em todo mundo, e a OMS calcula que subam em 70% os casos da doença nas próximas décadas.

O Brasil amarga ainda a incidência de cânceres já extintos em países desenvolvidos como o de colo de útero, típicos de países de terceiro mundo. Apresenta estatísticas semelhantes às de continentes como a África. É o 3 º tumor maligno mais frequente na população feminina e a 4ª causa de morte de mulheres por câncer no Brasil. Segundo o INCA, 5.727 mortes ocorreram em 2015 (último dado disponibilizado) e no ano passado estimativas indicavam mais 16.370 novos casos no país.

Para Ricardo Antunes, “esse alto índice de tumores do colo do útero está diretamente relacionado às condições socioeconômicas da população. E à falta de campanhas efetivas de prevenção e detecção precoce da doença”, denuncia.

“Salve-se” é o tema da campanha contra o câncer

A SBC lançou a campanha “Salve-se” contra o câncer reafirmando seu papel social na luta contra a doença. Trata-se de um vídeo de alerta à população e está sendo veiculado em TVs de todo país. “Estamos conectados à luta mundial contra o câncer especialmente porque 1/3 dos cânceres podem ser evitados. Pesquisas científicas indicam que em cada 10 casos, 3 estão relacionados ao estilo de vida que as pessoas levam”, alerta Antunes.

Ele lembra que a Assembleia Mundial da Saúde da ONU aprovou uma resolução para reduzir a mortalidade prematura por câncer através de uma abordagem integrada entre a OMS e os governos.

Share on facebook
Share on twitter
Share on linkedin
Share on google
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on email
Share on print
Anuncie na Revista da Farmácia

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.

Receba nossa Newsletter

Para notícias e ofertas exclusivas, digite seu e-mail abaixo.

City Farma - Invista na abertura de um bom negócio

Receba as principais notícias no seu Whatsapp

curta nossa fanpage

Mais lidas

Vídeo - É de Farmácia

Smart Consulta Consultório Farmacêutico Inteligente - Seja um franqueado
Fechar Menu