Os medicamentos genéricos seguem consolidando protagonismo dentro da cadeia farmacêutica brasileira e ampliando sua relevância estratégica para o setor de distribuição. Dados apresentados pela Associação Brasileira de Distribuição e Logística de Produtos Farmacêuticos (Abradilan), com base em informações da IQVIA e da Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos e Biossimilares (PróGenéricos), mostram que a categoria registrou crescimento de 11,3% em faturamento e avanço de 6% em unidades comercializadas no acumulado mais recente da distribuição farmacêutica nacional.

Atualmente, os medicamentos genéricos representam 41,1% do faturamento total do canal distribuidor ligado à Abradilan e 45,7% do volume de unidades comercializadas. O desempenho acompanha a expansão consistente do mercado nacional de genéricos, que encerrou 2025 com mais de 2,36 bilhões de unidades vendidas, crescimento de 8,33% em relação ao ano anterior. Somente no primeiro trimestre de 2026, o segmento gerou uma economia estimada em R$ 14,6 bilhões para a população brasileira.
Para Vinícius Dall’Ovo, diretor executivo da Abradilan, os números refletem o amadurecimento da categoria dentro do varejo farmacêutico e sua consolidação como um dos principais instrumentos de democratização do acesso à saúde. “Os genéricos deixaram de ser apenas uma alternativa mais acessível e passaram a ocupar uma posição estratégica dentro da cadeia farmacêutica. Hoje, representam um dos principais pilares de acesso da população aos tratamentos médicos e têm papel decisivo na sustentabilidade do varejo farmacêutico”, afirma.
Segundo o executivo, o segmento se tornou um dos pilares mais importantes para a sustentação da distribuição farmacêutica ao combinar alto giro, demanda recorrente, competitividade comercial e forte impacto social. “Os genéricos representam um segmento estratégico para a distribuição farmacêutica porque unem alto giro, demanda recorrente, competitividade comercial e forte impacto social”, destaca.
A Abradilan avalia que o impacto da categoria é ainda mais relevante entre farmácias independentes, associativistas e franquias, que dependem diretamente da distribuição para acessar medicamentos genéricos de forma competitiva, diferentemente das grandes redes, que frequentemente negociam diretamente com os laboratórios. Os distribuidores ligados à associação concentram 51,6% de participação em volume nas vendas de Rx Genérico e 53,8% em MIP Genérico dentro desse segmento do varejo farmacêutico.
De acordo com a entidade, a forte presença dos genéricos nas vendas contribui diretamente para o equilíbrio operacional das farmácias, especialmente em um cenário de alta competitividade e pressão sobre as margens. “Os genéricos ajudam o varejo a ampliar fluxo, fortalecer a fidelização e garantir maior previsibilidade de vendas, principalmente em tratamentos contínuos”, ressalta Dall’Ovo. “Além disso, fortalecem os distribuidores associados ao garantir um portfólio de alta demanda, margens saudáveis e giro acelerado para os seus clientes farmacêuticos. Ao fornecer produtos com bioequivalência garantida e preços competitivos, os distribuidores da Abradilan consolidam-se como parceiros comerciais indispensáveis, refletindo diretamente nos elevados shares de mercado da associação no varejo regional”, complementa.
Canal estratégico
A distribuição farmacêutica também exerce papel essencial na ampliação do acesso aos tratamentos em praticamente todo o território nacional. Atualmente, os associados da Abradilan atendem mais de 80 mil farmácias e alcançam 99,3% das cidades brasileiras. Para a entidade, essa capilaridade é decisiva para garantir abastecimento contínuo, disponibilidade regionalizada de medicamentos e competitividade ao pequeno e médio varejo farmacêutico.
“O distribuidor exerce papel essencial para garantir a disponibilidade de medicamentos em regiões distantes e ampliar a competitividade das farmácias independentes”, ressalta Dall’Ovo. “A distribuição farmacêutica tem papel fundamental na democratização do acesso à saúde. É ela que garante abastecimento contínuo, presença regionalizada e disponibilidade de medicamentos para pequenos e médios varejistas espalhados por todo o País”, acrescenta.
Outro fator que impulsiona o crescimento da categoria é a ampliação contínua do portfólio disponível no mercado brasileiro. Atualmente, cerca de 90% das doenças conhecidas já contam com opções terapêuticas em medicamentos genéricos. O avanço do segmento também é sustentado pelo envelhecimento populacional, pelo aumento da incidência de doenças crônicas, pelo amadurecimento regulatório e pela maior confiança do consumidor na eficácia desses medicamentos.
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Os dados mais recentes da PróGenéricos mostram que grande parte das vendas do período concentrou-se em medicamentos voltados ao tratamento de doenças crônicas e de alta prevalência na população brasileira, especialmente hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Entre os princípios ativos mais vendidos estão losartana potássica, dipirona sódica, hidroclorotiazida, tadalafila, nimesulida, enalapril, sinvastatina, rosuvastatina, anlodipino e metformina.
Tiago de Moraes Vicente, presidente-executivo da PróGenéricos, destaca a continuidade dessa expansão. “Somente entre janeiro e março deste ano, o mercado concentrou grande parte de suas vendas em medicamentos voltados ao tratamento de doenças crônicas e de alta prevalência na população brasileira, especialmente hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares”, afirma.
Além da competitividade de preço — os genéricos podem custar, no mínimo, 35% menos que os medicamentos de referência —, a Abradilan reforça que a categoria possui rígido controle regulatório e passa por testes de bioequivalência e biodisponibilidade exigidos pela legislação brasileira desde a Lei nº 9.787/1999.
O crescimento do segmento é atribuído ao amadurecimento regulatório, ao investimento contínuo da indústria e à ampliação do acesso à saúde. “Os números mostram que os genéricos deixaram de ser apenas uma alternativa de preço para se consolidarem como um dos pilares da assistência farmacêutica no Brasil, pois estamos falando de um setor que alia acesso, desenvolvimento industrial, inovação e impacto social direto na vida das pessoas”, conclui Vicente.
Para os próximos anos, a perspectiva da entidade segue positiva, impulsionada pela chegada de novas moléculas, medicamentos biossimilares e produtos de maior complexidade tecnológica. As projeções da PróGenéricos indicam que os genéricos deverão alcançar 45,12% de participação no mercado farmacêutico brasileiro até 2030. “Temos uma visão de crescimento contínuo e de consolidação estratégica da categoria, com novidades desenvolvidas pela indústria nacional”, finaliza Dall’Ovo.