Anvisa reforça fiscalização e expõe riscos na importação irregular de canetas emagrecedoras no Brasil

Crescimento da demanda por medicamentos para obesidade amplia controle sanitário e exige mais rigor das empresas que atuam no comércio exterior.
Fiscalização da Anvisa em farmácias de manipulação acende alerta para a cadeia logística de termolábeis
Foto: Divulgação
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A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tem intensificado a fiscalização sobre a entrada de canetas emagrecedoras no Brasil, diante do avanço da demanda por medicamentos à base de semaglutida e liraglutida, princípios ativos presentes em tratamentos amplamente utilizados no controle da obesidade e do diabetes, como Ozempic (semaglutida) e Saxenda (liraglutida).

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A autoridade sanitária vem realizando apreensões frequentes de produtos não regularizados em aeroportos e centros logísticos, além de emitir alertas sobre falsificação e comercialização irregular.

O movimento acompanha a expansão global desse mercado, que deve se aproximar de US$ 100 bilhões até o fim da década, segundo projeções de instituições financeiras internacionais.

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Ronaldo Félix, especialista em comércio exterior e operações internacionais (Foto: Divulgação)

Ronaldo Félix afirma que o aumento da procura tem sido acompanhado por uma entrada desorganizada de produtos no país. “Existe uma demanda crescente, mas parte dela está sendo atendida por canais que não seguem as exigências regulatórias. Isso expõe empresas a riscos sanitários, financeiros e jurídicos relevantes”, diz.

No Brasil, a importação de medicamentos exige registro na Anvisa, controle rigoroso da cadeia de fornecimento e, em muitos casos, prescrição médica com retenção de receita. O descumprimento dessas regras pode resultar na apreensão da mercadoria, aplicação de multas e até responsabilização criminal, dependendo da gravidade da infração.

Para o especialista, empresas interessadas em atuar nesse segmento precisam estruturar a operação desde a origem. Isso envolve validação de fornecedores internacionais, análise documental e adequação às normas sanitárias brasileiras. “Importar medicamentos não é uma operação comum. Exige conhecimento técnico e acompanhamento constante das exigências regulatórias. Sem isso, o risco de prejuízo é alto”, afirma.

A busca por previsibilidade tem levado companhias a investir em consultorias especializadas e tecnologia para o controle das operações. Plataformas que integram dados logísticos, financeiros e regulatórios permitem identificar inconsistências antes do embarque e reduzir falhas ao longo da cadeia. “A tecnologia ajuda a antecipar problemas e evitar perdas. No caso de produtos sensíveis, como medicamentos, esse controle deixa de ser diferencial e passa a ser obrigatório”, explica.

Outro ponto crítico está na escolha de parceiros internacionais. Fornecedores sem certificações ou histórico comprovado aumentam o risco de irregularidades, incluindo a entrada de produtos falsificados. Por isso, a recomendação é priorizar contratos estruturados, auditorias prévias e mecanismos de garantia, especialmente em operações com maior valor agregado.

Leia também: Anvisa altera modelo de acesso das farmácias privadas ao SNCR

Além do impacto operacional, a comercialização de produtos irregulares pode comprometer a reputação das empresas e afetar sua permanência no mercado. “Não se trata apenas de custo ou oportunidade. É uma questão de responsabilidade sanitária e posicionamento. Quem opera dentro das regras tende a se fortalecer com o aumento da fiscalização”, afirma.

A tendência é de maior rigor regulatório nos próximos anos, impulsionado pelo crescimento do setor e pela necessidade de controle sobre produtos de alto impacto à saúde. Empresas que estruturam governança, adotam tecnologia e contam com assessoria especializada ganham vantagem competitiva e reduzem a exposição a riscos. “A oportunidade existe, mas exige preparo. Operar sem controle em um segmento como esse pode comprometer toda a operação”, conclui.

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