Como evitar que medicamentos faltem nas farmácias? O desafio da cadeia farmacêutica

Como evitar que medicamentos faltem nas farmácias? O desafio da cadeia farmacêutica
Eduardo Rocha Bravim, especialista em biotecnologia farmacêutica (Foto: Divulgação)
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Nos últimos anos, países da Europa, da América do Norte e da Oceania registraram dificuldades no abastecimento de antibióticos, medicamentos para doenças crônicas, tratamentos oncológicos e fármacos destinados à saúde mental. Mais do que episódios isolados, esses casos evidenciam um desafio que afeta sistemas de saúde em todo o mundo: garantir que os medicamentos cheguem aos pacientes sempre que necessário.

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Embora o consumidor enxergue apenas o produto disponível — ou não — na prateleira, cada medicamento percorre uma cadeia altamente complexa antes de chegar às farmácias e aos hospitais. Da produção dos insumos farmacêuticos à fabricação, passando pelo controle de qualidade, pelas exigências regulatórias, pela logística internacional e pela distribuição, qualquer interrupção pode comprometer o abastecimento.

Para Eduardo Rocha Bravim, especialista em biotecnologia farmacêutica, instrumentação analítica, controle de qualidade e supply chain científico, com atuação internacional, uma das maiores transformações dos últimos anos foi compreender que o risco de desabastecimento não está apenas dentro das fábricas.

“Hoje, a indústria sabe que uma ruptura pode começar muito antes da linha de produção. Ela pode surgir na indisponibilidade de um insumo crítico, em restrições logísticas, em mudanças regulatórias ou até em conflitos geopolíticos capazes de comprometer o transporte internacional de matérias-primas. Por isso, a gestão de riscos passou a ser tão importante quanto a própria produção”, explica.

Diversos insumos farmacêuticos dependem de um número reduzido de fabricantes homologados no mundo, o que aumenta a vulnerabilidade da cadeia diante de eventos inesperados. Segundo Bravim, investir na qualificação de fornecedores alternativos, acompanhar continuamente sua capacidade produtiva e desenvolver planos de contingência são medidas que fortalecem a segurança do abastecimento.

Outro fator decisivo é o planejamento industrial.

Diferentemente de outros setores, a fabricação de medicamentos envolve processos altamente controlados, validações, análises laboratoriais e liberações regulatórias que podem levar meses. Isso exige previsões de demanda cada vez mais precisas, gestão eficiente de estoques e planejamento antecipado da aquisição de insumos, reduzindo tanto o risco de desabastecimento quanto as perdas por vencimento ou excesso de produção.

Nesse contexto, tecnologias baseadas em análise de dados e inteligência preditiva assumem um papel cada vez mais relevante. Essas ferramentas permitem antecipar oscilações de demanda, identificar possíveis gargalos na cadeia e ajustar cronogramas produtivos antes que ocorram rupturas no abastecimento.

Leia também: Diferenças estruturais entre o mercado farmacêutico brasileiro e o dos Estados Unidos

Para Bravim, porém, a tecnologia só produz resultados quando existe integração entre as diferentes áreas da indústria. “Supply chain, produção, controle de qualidade e assuntos regulatórios não podem atuar como departamentos isolados. Quando essas áreas compartilham informações em tempo real, a tomada de decisão se torna mais rápida, reduzindo riscos e aumentando a capacidade de resposta diante de qualquer interrupção”, afirma o especialista.

Garantir o abastecimento de medicamentos significa proteger a saúde da população e a estabilidade dos sistemas de saúde. Fortalecer a cadeia farmacêutica significa integrar planejamento, qualidade, gestão de riscos, inovação e previsibilidade em todas as etapas do processo produtivo. Mais do que evitar prateleiras vazias, trata-se de assegurar que milhões de pacientes tenham acesso contínuo a terapias essenciais, independentemente dos desafios impostos pelo cenário global.

Foto de Revista da Farmácia

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