Enquanto os holofotes do varejo farmacêutico costumam apontar para companhias de capital aberto, com sede nos grandes centros financeiros do país, um grupo construído longe da Faria Lima vem chamando a atenção pelos números e pela estratégia. Com origem em Ribeirão Preto (SP), o Grupo Total fechou 2025 com receita superior a R$ 2 bilhões, quase 700 lojas e presença em mais de 330 municípios, consolidando-se entre as 15 maiores redes do setor de farmácias do Brasil.

O avanço recente foi expressivo. Segundo o ranking das 300 maiores empresas do varejo nacional, elaborado pelo Instituto Retail Think Tank em parceria com a Mastercard, o Grupo Total foi a quinta companhia que mais subiu posições, avançando 47 colocações em apenas um ano. Em faturamento, saltou para a 117ª posição — desempenho bem acima da média do setor.
Associativismo como motor de escala
Fundado em 1996, o grupo construiu sua expansão com base em um modelo que foge do padrão tradicional de aquisições ou lojas próprias: o associativismo. A estratégia consiste em atrair farmácias independentes para a conversão de bandeira, mantendo o empreendedor local no comando da operação, mas integrando a loja a uma estrutura centralizada de compras, gestão, tecnologia e marketing.
“O crescimento sustentável passa por gerar eficiência e rentabilidade para quem está na ponta. Nosso papel é profissionalizar a gestão sem tirar a autonomia do empreendedor”, afirma o presidente, Júlio Martins. Esse modelo permitiu à rede ganhar capilaridade em cidades médias e pequenas, especialmente no interior paulista, onde grandes grupos nacionais ainda têm baixa presença. Hoje, o Grupo Total está presente em mais municípios do que algumas líderes do setor, mesmo com uma estrutura corporativa mais enxuta.
Tecnologia para pequenas e médias farmácias
O foco da companhia não se limita à expansão geográfica e também envolve ganhos consistentes de eficiência operacional. Ferramentas como BI Solar e Total Price, desenvolvidas em parceria com a Febrafar, orientam decisões de mix, precificação e margem em tempo real.
O grupo também investiu na criação de um datalake próprio, na automação de processos e em treinamentos personalizados apoiados por inteligência artificial, elevando o nível de análise das lojas associadas. O resultado foi o crescimento do tíquete médio, o aumento no volume de transações e maior adesão às campanhas nacionais.
Leia também: Com crescimento de 18%, Grupo Total consolida modelo associativista em 2025
Outro vetor relevante foi o fortalecimento do portfólio de marcas próprias, operado pela BEM ME, com foco em categorias de maior giro e margem saudável para o lojista. Além do varejo tradicional, o Grupo Total acelerou a padronização das salas clínicas, ampliando serviços de atenção básica, como aferições, testes rápidos e acompanhamento farmacêutico. A iniciativa reforça o papel da farmácia como ponto de cuidado primário, especialmente em regiões onde o acesso ao sistema de saúde é mais limitado.
Crescer sem perder o DNA
Para 2026, o plano é seguir crescendo, mas com foco na consolidação regional, principalmente no interior de São Paulo e em estados estratégicos das regiões Sudeste, Norte e Nordeste. O crescimento será guiado por cinco pilares: crescimento qualificado da rede, avanço em tecnologia e dados, fortalecimento do marketing, desenvolvimento de novos serviços e reforço da governança.
“O associativismo só funciona quando consegue equilibrar escala, proximidade com o cliente e eficiência operacional. Esse equilíbrio é o que nos trouxe até aqui e o que vai sustentar o próximo ciclo”, pontua Martins.