Os Programas de Benefícios em Medicamentos (PBMs) passam por uma mudança de papel no mercado brasileiro. Mais do que oferecer descontos na compra de medicamentos, eles começam a ser estruturados como parte de uma jornada que conecta acesso, dispensação, orientação, serviços clínicos, acompanhamento e dados. A transformação ocorre em um cenário de alta prevalência de doenças crônicas, dificuldades de adesão aos tratamentos e uma jornada de saúde ainda fragmentada.

Dados da Interplayers, considerando os últimos 12 meses, entre agosto de 2025 e julho de 2026, dimensionam a escala que esse ecossistema alcança: são mais de 42 mil pontos de venda ativos, 14,5 milhões de pacientes e 46,5 milhões de unidades vendidas. A operação reúne ainda 36 programas e indústrias e 206 classes terapêuticas. Cabe destacar que o número de pacientes considera participações múltiplas, já que uma mesma pessoa pode estar cadastrada em mais de um programa.
Para Cristiano Miranda Silva, diretor B2B2C da Interplayers, a evolução dos PBMs está relacionada à capacidade de acompanhar o paciente para além do momento da compra. “O desafio não é mais concluir uma venda. O valor está em conectar os diferentes pontos da jornada, desde o acesso ao medicamento até a dispensação, a orientação e o acompanhamento. Quando esses dados e serviços conversam entre si, o PBM deixa de ser apenas um mecanismo de desconto e passa a contribuir para uma jornada de cuidado mais contínua”, afirma.
A mudança também acompanha a transformação do papel das farmácias. Com a combinação de acesso, conveniência e proximidade com o paciente, especialmente em tratamentos contínuos, o ponto de venda pode assumir uma função mais ampla na jornada de saúde. Segundo os dados da Interplayers, as farmácias independentes e associadas representam uma fronteira relevante de expansão dos PBMs, principalmente pela presença em cidades menores e fora dos grandes centros.
Essa capilaridade ganha relevância diante da distribuição do varejo farmacêutico brasileiro. Dados do IBGE apontam que 70,6% dos municípios brasileiros têm menos de 20 mil habitantes, e é justamente nesse universo que farmácias associadas e independentes concentram parte importante de sua presença. Em sete de cada dez municípios, a farmácia independente é apontada como a única rede de saúde disponível à população.
O desafio é transformar essa capilaridade em uma operação sustentável. No canal indireto, entre as principais barreiras estão os processos de reposição e conciliação, as margens reduzidas, a necessidade de manter estoque inicial para diferentes programas, a restrição de crédito e o custo associado a produtos de maior valor.
Com isso, a tecnologia passa a ter papel estratégico. A integração entre dados de prescrição, acesso, venda e relacionamento permite reduzir a fragmentação da jornada e criar uma visão mais ampla do comportamento do paciente. Na prática, o modelo combina PBM para acesso e adesão, serviços clínicos para orientação e monitoramento, dados para inteligência sobre a jornada e automação para ampliar escala e personalização.
“Quando acesso, serviço e dados estão conectados, a relação deixa de ser transacional. Para a farmácia, isso significa maior relevância e vínculo com o paciente; para a indústria, mais visibilidade e capacidade de acompanhar a efetividade dos programas; e, para o sistema de saúde, mais informação para prevenção e coordenação do cuidado”, afirma Cristiano.
Uma oportunidade que vai além do desconto
A dimensão do mercado reforça o espaço para essa evolução. O faturamento do varejo farmacêutico alcançou R$ 241,3 bilhões nos 12 meses, segundo a Febrafar e a Close-Up International.
Nesse contexto, o modelo de PBM 360º representa uma mudança de perspectiva. No lugar de olhar apenas para a conversão de uma venda, passa a considerar toda a jornada relacionada ao tratamento. Para o paciente, isso envolve acesso e continuidade; para a farmácia, tráfego recorrente, maior previsibilidade de demanda e relacionamento; e, para a indústria, dados e maior capacidade de acompanhar a jornada dos medicamentos.
A Interplayers atua como infraestrutura de conexão entre indústria, farmácias e pacientes, integrando acesso, dispensação, serviços, acompanhamento e inteligência de dados. A proposta acompanha um movimento mais amplo do mercado, no qual o ponto de venda deixa de ser apenas o local onde o medicamento é retirado e passa a funcionar como um ponto de contato contínuo com o paciente.