Indústrias de suplementos se reinventam diante da nova geração de consumidores

Popularização dos análogos de GLP-1 muda padrões de consumo, acelera a inovação em formulações e pressiona o setor.
Indústrias de suplementos se reinventam diante da nova geração de consumidores
Foto: Divulgação
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A rápida expansão do uso de medicamentos à base de análogos de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, está redesenhando o comportamento alimentar e abrindo uma nova frente de transformação para a indústria de suplementos nutricionais. Com efeitos que vão desde a redução do apetite até a desaceleração do esvaziamento gástrico, esses fármacos têm impulsionado um perfil de consumidor que ingere menor volume de alimentos, mas demanda maior densidade nutricional, especialmente em proteínas, fibras e micronutrientes.

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Diante do fim da patente da semaglutida, encerrada em março deste ano, a chegada de versões genéricas tende a ampliar de forma significativa o acesso aos tratamentos com GLP-1 no Brasil — movimento já observado em mercados como o dos Estados Unidos. De acordo com projeções do Itaú BBA, esse segmento pode superar a marca de US$ 160 bilhões globalmente até 2030. No cenário nacional, o mercado já movimenta cifras bilionárias, com estimativas próximas a R$ 10 bilhões, sem incluir o volume expressivo de vendas que ocorre fora dos canais formais.

Esse novo cenário, no entanto, traz desafios nutricionais importantes — e é nesse contexto que a Pronutrition, indústria especializada no desenvolvimento e fabricação de suplementos alimentares para grandes marcas, intensificou seus investimentos em formulações voltadas a usuários de GLP-1. Segundo Francisco Neves, CEO da empresa, usuários desses medicamentos frequentemente apresentam redução significativa da ingestão calórica e proteica, o que pode levar à perda de massa muscular e a deficiências nutricionais, caso não haja acompanhamento adequado.

“Desenvolvemos formulações específicas para esse perfil de consumidor — com maior densidade proteica, melhor biodisponibilidade e menor potencial de irritação gástrica, que é uma queixa comum entre usuários de GLP-1. A suplementação precisa ser uma aliada estratégica nesse processo, não um produto genérico de prateleira”, afirma Neves.

A resposta da indústria já começa a ganhar forma. Em eventos internacionais, como a Natural Products Expo West, o avanço de inovações alinhadas a esse novo perfil é consistente: fórmulas ricas em proteínas, produtos voltados à saúde intestinal, adoçantes de origem integral e maior transparência de ingredientes. É nesse cenário que a Pronutrition posiciona seu portfólio, desenvolvendo formulações que respondem diretamente às demandas nutricionais desse novo perfil de consumidor.

“A evolução técnica é central nessa transformação. Investimos em proteínas hidrolisadas, vitaminas de melhor absorção e ingredientes com menor potencial de irritação gástrica. Mas o que mais mudou foi a lógica de desenvolvimento: antes partíamos de um produto e buscávamos um público; hoje partimos de uma necessidade clínica e construímos a formulação a partir dela”, complementa Francisco.

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O movimento, porém, levanta alertas. Com o boom dos GLP-1, cresce o risco de oportunismo comercial, com produtos que prometem benefícios sem respaldo científico. “O consumidor está mais atento, mas também mais vulnerável a promessas rápidas. Por isso, reforçamos nossa política de transparência de ingredientes e só lançamos produtos com dosagens respaldadas por literatura científica”, diz Neves.

O avanço dos GLP-1 marca uma virada estrutural para o setor: a suplementação, antes associada majoritariamente ao desempenho esportivo, passa a ocupar um espaço mais amplo dentro da saúde preventiva e do manejo de condições metabólicas. Para a Pronutrition, isso representa tanto uma responsabilidade quanto uma oportunidade de consolidar um modelo de negócio orientado pela ciência, e não apenas por tendências.

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