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Atividade física pode prevenir Doença de Alzheimer

Um dos estudos, realizado por 25 cientistas de diversos países – entre eles, dois brasileiros, estabeleceu a relação entre o aumento dos níveis de irisina e uma possível melhora na perda de memória.
Foto: shutterstock
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Estudos científicos publicados recentemente trouxeram avanços no entendimento dos mecanismos que influenciam as demências, como o Alzheimer, entre eles, a descoberta de um novo biomarcador, que se liga à proteína de tau (relacionada à saúde dos neurônios), e a influência dos níveis de irisina na perda da memória.

Um dos estudos, realizado por 25 cientistas de diversos países – entre eles, dois brasileiros –, publicado na revista Nature Medicine, estabeleceu a relação entre o aumento dos níveis de irisina e uma possível melhora na perda de memória causada pelo Alzheimer, o que pode representar mais eficácia no tratamento e prevenção da doença.

“O mais interessante é que a irisina é um hormônio produzido naturalmente pelo corpo durante a prática de exercícios físicos.   Ainda se discute muito sobre a prevenção da demência.   Mas, na medida em que avançamos no entendimento da doença, fica mais claro a relação entre a incidência da doença e o estilo de vida.  Exercícios físicos, reeducação alimentar, evitar o tabagismo, dormir bem e estimular o cérebro são hábitos bastante recomendados nesse sentido”, recomenda o psiquiatra da Holiste, André Gordilho.

As descobertas são importantes, mas ainda são insuficientes para o desenvolvimento de um tratamento farmacológico que reverta as alterações neurológicas promovidas pela doença. Ainda assim, elas reforçam a necessidade de hábitos que proporcionem a qualidade de vida e que podem ser um protetor natural para as demências.

“A adoção de hábitos saudáveis com uma dieta equilibrada, sono e prática de exercícios regulares podem promover mudanças na qualidade de vida, melhorando a saúde física e mental. Outras abordagens terapêuticas, como a estimulação cognitiva, têm se mostrado efetivas, já que contribuem para retardar a evolução da doença e preservar por mais tempo as funções cognitivas”, completa André Gordilho.

O desafio da mente saudável

Estima-se que as demências tenham uma incidência de 10% a 15% nos adultos acima de 65 anos, em todo o mundo. A demência é um termo que engloba diversas doenças neurodegenerativas progressivas, as quais envolvem um conjunto de sintomas diretamente ligado à perda cognitiva, como problemas de memória, raciocínio, linguagem e alterações de comportamento. 

Existem diversos tipos de demência, que podem ser separadas em dois grupos: reversíveis e degenerativas.  As principais síndromes demenciais são a Doença de Alzheimer, Demência com Corpos de Lewy, Demência Vascular e a Demência Frototemporal.

“Para cada tipo de manifestação da demência, existe um grupo de sintomas diferente e, consequentemente, tratamentos diferentes, além da evolução individual de cada um.  Em idosos, sintomas como delírios e alucinações trazem riscos como a possibilidade de fuga do lar, quedas ou agressões, bem como comportamentos alterados com a família ou cuidadores”, explica o psiquiatra Victor Pablo.

A Doença de Alzheimer

A doença de Alzheimer é a síndrome com maior prevalência, representando 60% a 70% dos casos.  Seu avanço acontece de forma progressiva e irreversível, afetando – de forma gradual – as funções cognitivas, como atenção, concentração e raciocínio, trazendo também alterações no comportamento e personalidade do indivíduo.  Essas perdas ocasionam prejuízos significativos na capacidade produtiva e nas relações sociais.  Segundo dados da Associação Brasileira de Alzheimer (ABRAz), mais de 1,6 milhões de brasileiros sofrem com a doença de Alzheimer.

Cuidados na terceira idade

Segundo dados do IBGE, entre 2012 e 2017, o Brasil passou a ter mais de 30 milhões de idosos, o que equivale a 14% da população brasileira.  Um crescimento de quase 20% em 5 anos.  A expectativa é que, em 2050, esse número supere os 60 milhões, o que equivale a 30% de toda população, colocando o Brasil como um dos países com maior população de idosos do mundo.

Envelhecer é um processo inevitável, que acontece em todas as dimensões do ser humano: cronológica, biológica e psicossocial.  Caracteriza-se, principalmente, por uma degradação orgânica e funcional do indivíduo, mas que não decorre de um processo de adoecimento.

“Existe o pensamento incorreto de que o envelhecimento está associado ao adoecimento.  Mas o que esperamos é envelhecer de forma saudável, mesmo com algumas limitações funcionais.  É possível manter a independência e autonomia, manter vínculos familiares e sociais adequados, fazer atividades físicas e até mesmo ser produtivo; que não seja trabalhando, mas mantendo-se ocupado, mesmo que em um ritmo mais tranquilo”, explica o psiquiatra André Gordilho.

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