Fontes alternativas de financiamento: concorrência ou agiotagem?

A Lei Complementar 167 criou a Empresa Simples de Crédito ou apenas ESC. Saiba como esse novo modelo vai funcionar.
Precificação inteligente
Precificação inteligente
Publicidade

Em 24 de abril deste ano, foi publicada a Lei Complementar nº 167, que criou um novo tipo de empresa: a Empresa Simples de Crédito (ESC). A lei tem o objetivo de aumentar a concorrência no mercado de crédito para micro e pequenas empresas, ampliando as fontes alternativas de financiamento. Tal medida faz parte de uma política desenvolvida há alguns anos pelo Banco Central de reduzir a dominância dos grandes conglomerados financeiros. Porém, alguns especialistas argumentam que o resultado final será a legalização da agiotagem. A sorte está lançada, quem viver verá.

Segundo a lei, uma ESC terá atuação exclusivamente no município de sua sede e em municípios limítrofes, realizando operações de empréstimo, financiamento e desconto de títulos de crédito, exclusivamente com recursos próprios, com microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. O valor total das operações é limitado ao capital realizado da ESC, não podendo captar outros recursos sob pena de incorrer em crime contra o sistema financeiro.

Leia também: CDB, poupança e fundos de investimento

Em suas operações, uma ESC deve observar as seguintes condições:

  • Sua remuneração se constitui apenas por juros sobre o valor do crédito, não lhe sendo permitido cobrar qualquer outro tipo de encargo, seja taxa ou tarifa, pelas operações;
  • Os valores das operações têm que transitar por contas de depósitos em instituições financeiras, não podendo haver transações em espécie;
  • As operações deverão ser, obrigatoriamente, realizadas por meio de contrato formal, anotadas no cadastro positivo e registradas em entidades registradoras autorizadas pelo Banco Central ou pela Comissão de Valores Mobiliários, para serem válidas;
  • E os créditos podem ser garantidos por alienação fiduciária.

No mercado, já se pode observar o movimento de empresários atuantes no factoring – fomento mercantil – no sentido de ocupar espaço no segmento das ESC. Porém, as operações diferem em vários aspectos. A empresa de fomento pode operar em valor superior ao seu capital realizado, mas só pode operar na compra de efeitos comerciais (recebíveis), enquanto a ESC pode, desde que limitado ao valor de seu capital realizado, financiar a aquisição de bens, como veículos, imóveis etc.

Como fontes alternativas de crédito, também existem as fintech de crédito autorizadas a funcionar pelo Banco Central: a Sociedade de Crédito Direto (SCD); e a Sociedade de Empréstimo entre Pessoas (SEP). As fintechs, do inglês finance and technology, se caracterizam pelo uso intensivo de tecnologia da informação, operando plataformas digitais pela internet. Uma SCD é bastante semelhante a uma ESC, realizando operações de crédito, em geral, apenas com recursos próprios, porém sem se restringir às pequenas empresas e podendo prestar serviços conexos de análise e cobrança de crédito, além de venda de seguros relacionados ao crédito.

Portanto, as opções são variadas. Mas uma questão continua sem resposta: quando haverá disponibilidade de crédito fácil e barato para as empresas brasileiras?

Assista: De olho nas finanças da farmácia

Foto de Jorge Wilson Alves

Jorge Wilson Alves

Advogado e contador, Jorge entende um “bocado” sobre planejamento financeiro, avaliação de investimentos e negociação com bancos. Em sua coluna, Jorge dá dicas valiosas para as empresas manterem as contas no azul.
Compartilhe
Publicidade

Receba as principais notícias direto no seu celular

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Veja também

A farmácia não precisa de inteligência artificial no balcão

Por Leonardo Gouveia Sete e meia da manhã de uma segunda-feira. A porta abre e entram três pessoas quase juntas. Uma senhora com receita de anti-hipertensivo, um rapaz querendo saber

A Meta não criou um novo custo. Ela apenas colocou preço na ineficiência

Por Sérgio Gwercman As grandes transformações tecnológicas raramente começam pela tecnologia. Elas começam quando muda a lógica econômica que sustenta aquela tecnologia. Foi assim com a computação em nuvem. Durante

Comprar online: uma conta que vai além do preço

Por Talita Poleto Ainda existe uma percepção muito comum entre os brasileiros: comprar na farmácia pelo aplicativo é mais caro. Mas será que isso ainda é verdade? Curiosamente, essa lógica

Crises empresariais raramente começam com falta de dinheiro

Por Anderson Ozawa Os recentes pedidos de recuperação judicial de grandes empresas voltaram a colocar a saúde financeira das organizações no centro do debate. Mas talvez a pergunta mais importante

A farmácia virou ponto de cuidado. Agora precisa operar como tal

Por Matheus Moreira Soares Em 2025, as redes associadas à Abrafarma registraram 10 milhões de atendimentos clínicos, com média diária de 40 mil procedimentos no primeiro trimestre de 2026. O

Se as vacinas salvam vidas, por que ainda é tão difícil ampliar a cobertura?

Por Jauri Siqueira A importância da vacinação dificilmente é questionada. O desafio está em transformar esse consenso em ação. Apesar dos avanços científicos e da ampla oferta de imunizantes, o

Não existem mais matérias para exibir.
Publicidade
Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, vamos assumir que você está feliz com isso.