O recente aumento no roubo de cargas farmacêuticas no Brasil acendeu um alerta não apenas para as perdas financeiras, mas, principalmente, para os graves riscos à saúde da população. Dados divulgados mostram que os prejuízos com roubos de medicamentos saltaram de 1,7% para 22,3% no primeiro trimestre de 2026, com o estado do Rio de Janeiro concentrando 44% das ocorrências e São Paulo figurando como outro grande alvo das quadrilhas. Produtos de alto valor, como canetas emagrecedoras e medicamentos que exigem refrigeração, estão entre os principais alvos dos criminosos.

Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância de sistemas robustos de rastreabilidade, que acompanhem os medicamentos desde a fabricação até a chegada ao paciente. A capacidade de identificar, serializar e agregar volumes unitários a lotes e cargas inteiras é apontada como um dos pilares para combater os desvios e garantir que medicamentos irregulares não retornem ao mercado legal.
A ACG destaca que a rastreabilidade vai além da conformidade regulatória: trata-se de um instrumento de proteção ao paciente. “Quando um medicamento é roubado e vendido, além de todas as questões legais, não há controle de temperatura, luz ou umidade, o que compromete sua eficácia e segurança”, destaca Raphael Sideris, gerente-geral de Vendas para o Brasil e a América Latina da ACG. “A rastreabilidade permite identificar exatamente onde houve a ruptura da cadeia, impedindo que esses produtos retornem às farmácias e aos hospitais”, completa.
A empresa, que desenvolve e fornece sistemas de serialização, agregação de caixas, frascos e etiquetas, além de softwares para gestão da rastreabilidade, explica que esse tipo de tecnologia permite acompanhar o percurso dos medicamentos desde a produção até a distribuição, criando uma hierarquia entre unidades, blísteres e paletes — algo indispensável para o controle sanitário e a segurança.
“Não adianta apenas colocar um lacre no caminhão. É preciso que cada embalagem individual tenha sua identidade digital e que ela seja verificada em cada etapa da cadeia. A rastreabilidade não resolve o crime sozinha, mas é uma barreira técnica que dificulta a reinserção do produto desviado no mercado regulado”, afirma Raphael Sideris.
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A Polícia Rodoviária Federal tem alertado sobre o transporte inadequado de medicamentos roubados e os riscos decorrentes dessa prática, como perda de eficácia, reações adversas graves e até mortes. Por isso, a rastreabilidade integrada, envolvendo fabricantes, distribuidores e pontos de venda, destaca-se como uma ferramenta indispensável para a proteção da população. Esse processo permite, inclusive, que o próprio consumidor consulte a procedência do produto.
Com o aumento dos roubos de medicamentos neste ano, a rastreabilidade deixou de ser apenas uma exigência regulatória e se consolidou como uma ferramenta de segurança pública. “Nosso objetivo deve ser ajudar a construir um ecossistema que, associado às políticas públicas e à atuação das forças de segurança, possa reduzir o impacto desses desvios na vida dos brasileiros”, reforça Sideris. “Investir na identificação digital não é mais apenas um diferencial competitivo, mas uma necessidade da indústria farmacêutica”, conclui.