Muitas farmácias ainda enfrentam prejuízos significativos devido ao controle ineficiente de produtos vencidos, tratando o problema apenas como uma tarefa operacional, em vez de uma decisão estratégica.

Especialistas alertam que o uso de planilhas manuais e a dependência da memória da equipe podem transformar a falha em uma “certeza estatística”, resultando em perdas financeiras e riscos jurídicos.
Mito da lista de vencimento
O modelo tradicional, em que a equipe recebe uma lista e sai à procura de itens na prateleira — a chamada “caça aos vencidos” —, é considerado reativo e frágil. Segundo Anderson Ozawa, especialista em perdas e CEO da AOzawa Consultoria, esse processo depende excessivamente da atenção humana e da disciplina operacional, que frequentemente competem com o atendimento ao cliente e outras demandas da loja. Quando um produto é encontrado já vencido, isso é apenas o sintoma de um processo que falhou meses antes.
Impacto triplo no negócio
A perda de um produto por validade impacta a farmácia em três frentes principais:
- Financeira: perda direta do valor investido no estoque.
- Margem: perda do lucro que custearia a estrutura do negócio.
- Credibilidade: risco de vender um item vencido ao consumidor, com impacto reputacional negativo. A comercialização de alguns produtos pode configurar crime e gerar sanções da Vigilância Sanitária.
Estratégia da gestão por “janela crítica”
Para reverter esse cenário, a recomendação é que o controle comece antes mesmo de o produto chegar à gôndola, no momento em que a farmácia recebe o produto do fornecedor. Estabelecer uma política mínima de vida útil no momento da compra e conferir rigorosamente o lote e a validade na entrada da mercadoria são passos cruciais.
Além disso, propõe-se uma gestão por janelas críticas de tempo:
• 180 dias: monitoramento constante e avaliação de transferências entre filiais onde o giro do produto seja maior.
• 90 dias: ações para acelerar o giro, como mudanças na exposição ou oferta ativa ao cliente.
• 60 dias: promoções para reduzir o estoque e preservar parte da margem.
• 30 dias: tentativa de troca com fornecedores.
Tecnologia como aliada
A maioria dos sistemas de gestão (ERPs) já possui ferramentas para automação desse controle, como alertas de validade e relatórios de “estoque parado”. O uso da Curva ABC também é essencial para focar a atenção nos itens de maior valor e maior risco financeiro.
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Em suma, a transição para uma “governança da validade” permite que o gestor saiba exatamente qual é o seu risco financeiro para os meses seguintes, atuando de forma preventiva e protegendo a lucratividade da empresa.