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Lições de uma reunião que era para ser sigilosa

O que os líderes podem aprender com a reunião ministerial que veio a público e deixou o governo sem máscaras
Reunião ministerial gravada trouxe lições para líderes
Foto: freepik

Agora que o distanciamento racional se impôs e os ânimos deram uma arrefecida, pode-se falar um pouco sobre uma das interessantes experiências recentes em termos de liderança: aquela famosa gravação confidencial da reunião ministerial.

Essa gravação é de grande riqueza para estudiosos de liderança por vários aspectos. Primeiro, ela mostra uma reunião sem disfarces, pois era para ser sigilosa, então seus integrantes agiram sem máscaras, literal e metaforicamente, pois, a princípio, ficaria tudo ali entre eles. Além disso, ela mostra uma variedade de estilos de liderança e comunicação dentro de um mesmo grupo ou equipe, o que é natural nas relações humanas. E, finalmente, traz exemplos claros de certos conceitos que tipicamente são encontrados nas teorias comportamentais.

A primeira, e mais óbvia, característica a ser destacada é a assertividade do mandatário da República diante de sua equipe. Se um dia você quiser explicar a alguém o que é ser assertivo, basta mostrar os trechos em que o chefe do Executivo expressa veementemente sua visão frente ao time. Não, palavrão não é sinônimo de assertividade necessariamente, mas a forma clara e enfática como foi colocada a visão de comando deixa clara que se está diante de uma liderança assertiva. Um caso típico de hard power, ou poder duro, numa tradução livre.

No outro extremo, está o soft power, ou poder suave, da ministra que trata dos direitos humanos. Com uma voz suave, um tom de voz baixo, e com extrema clareza, ela afirma que vai botar na cadeia governadores que estariam tomando uma certa conduta que aqui não vem ao caso. Alguém lembra de algum chefe assim? Aquele cara que com uma voz suave e um tom baixo “ferra” com todo mundo?

Outro ponto a ser destacado é a óbvia similaridade no modo de comunicação do ministro da Economia comparado ao do mandatário da República. Ambos são altamente assertivos e objetivos no modo de se comunicar, o que permite crer que haja uma grande afinidade de comunicação entre os dois.

Inversamente, um ministro que pediu demissão após a reunião mostra um modelo de comunicação inverso aos dois anteriormente citados, quase acabrunhado, talvez pelo fato de ter tomado um baita feedback em público. Aliás, essa reunião é um exemplo claro de quando se pode dar um feedback negativo em público numa reunião de equipe. A mensagem claramente serviu para todos os presentes.

Para fechar, destacaria que alguns ministros souberam se ater nas suas falas a aspectos técnicos de sua área e à entrega de resultados, enquanto um especificamente falou demais e comprovou o antigo provérbio de que “quem fala demais dá bom dia a cavalo”. Saiu da pauta de sua área, falou muito além do que devia e ficou numa saia justa.

Na próxima reunião de que você participar, lembre-se das lições da famosa reunião ministerial e dos diversos exemplos que ela gerou, mostrando que a teoria presente nos livros sobre liderança é, na verdade, a expressão teórica da prática de liderança.

Veja também: Perfis de liderança: conheça os principais e descubra qual é o seu

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