Levantamento da IQVIA revela que o mercado farmacêutico nacional registrou crescimento de 5,77% no mês de maio, desempenho considerado modesto em comparação com o mesmo período de 2025, quando o setor havia avançado 14,55%.

De acordo com análises do setor, dois fatores principais explicam essa desaceleração: a base de comparação elevada em relação ao ano anterior e um forte movimento de abastecimento das farmácias ocorrido em abril, motivado por uma expectativa de vendas em maio que não se concretizou plenamente.
Medicamentos de referência e o impacto do GLP-1
A categoria de produtos propagados (medicamentos de referência) cresceu 6,84%, porém esse resultado foi fortemente sustentado pelas canetas de GLP-1. Sem elas, o crescimento do mercado nacional em faturamento teria sido de apenas 0,13% — o que, quando ajustado pela inflação, representaria um decréscimo real nas vendas.
Outro movimento relevante foi a migração do medicamento Forxiga para a categoria de genéricos, impactando diretamente a receita dos produtos de marca.
Ascensão dos genéricos e queda dos similares
Enquanto o mercado de genéricos apresentou crescimento de 4,40%, impulsionado por ações comerciais de laboratórios como MedQuímica e EMS no segmento da dapagliflozina, a categoria de similares enfrentou uma retração de 9,96%.
Essa queda é atribuída à substituição natural dos similares por genéricos e ao desempenho abaixo do esperado de produtos sazonais, como Neosoro e Naridrin. As farmácias haviam estocado esses itens prevendo um inverno mais rigoroso em maio, o que não se confirmou, resultando em estoques elevados.
Perfumaria e dermocosméticos mantêm ritmo de alta
Apesar do cenário desafiador no segmento de medicamentos, a área de perfumaria destacou-se como a de maior crescimento, com alta de 8%. Dentro desse grupo, os dermocosméticos lideraram o avanço, com crescimento de 12,84%, seguidos pela subcategoria de higiene e beleza — que inclui shampoos, sabonetes e desodorantes —, com alta de 5,33%.
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Especialistas reforçam a importância de um acompanhamento próximo do mix de produtos regional, especialmente em categorias de alto giro, como higiene e beleza, para garantir que o ponto de venda esteja alinhado aos lançamentos e às demandas locais.
Para o mês de junho, a expectativa é de recuperação nos volumes de vendas e de resultados mais robustos para o varejo farmacêutico.
Fonte: IQVIA e Rede Soma