WhatsApp domina OTC online no Brasil e pressão de preços abre espaço para marketplaces

Dados da Worldpanel by Numerator mostram avanço da penetração da categoria nos lares brasileiros.
Estratégias para aumentar suas vendas com o WhatsApp
Foto: Divulgação
Publicidade

O reajuste de preços de medicamentos no Brasil, anunciado em 31 de março, tende a intensificar a disputa por consumidores no mercado de OTC (medicamentos isentos de prescrição médica). O movimento ocorre em um cenário já marcado pela digitalização da categoria e pela entrada de novos canais de venda, como os marketplaces — com destaque para o Mercado Livre.

Espaço publicitário

Dados da Worldpanel by Numerator indicam que 62% das compras online de OTC já são realizadas via WhatsApp, evidenciando o avanço de jornadas de compra mais diretas e conversacionais, frequentemente intermediadas por farmácias locais.

Ao mesmo tempo, 34% das compras no canal farma são compostas exclusivamente por OTC, o que mostra que uma parcela relevante das transações envolve missões simples. Esse perfil de compra é mais suscetível à migração para canais que oferecem maior conveniência ou preços mais competitivos.

O mercado de OTC já alcança 42 milhões de lares brasileiros, com a entrada de 334 mil novos domicílios no período mais recente. As ocasiões de compra cresceram 2,1%, enquanto o volume por ocasião avançou 5,6%, indicando que o consumidor está comprando mais a cada visita.

Em contrapartida, a frequência de compra permanece estável, em quatro compras por ano por lar, o que revela espaço relevante para expansão — especialmente em um contexto de maior pressão de preços e busca por conveniência.

Perfil reativo amplia sensibilidade a preço e canal

O estudo mostra que o consumo de OTC no Brasil ainda é predominantemente reativo. 45% dos consumidores são classificados como Health Passives — perfis menos engajados com saúde e mais orientados pela necessidade imediata — percentual acima da média da América Latina.

Esse comportamento se reflete na forte concentração em categorias como analgésicos, que lideram a penetração no país e reforçam o caráter imediato da compra.

Além disso, o crescimento da categoria tem sido impulsionado por consumidores menos intensos, com a entrada de 954 mil novos lares desse perfil. Esse dado aponta para baixa fidelidade ao canal e maior propensão à migração conforme preço e conveniência.

Nesse contexto, a digitalização ganha ainda mais relevância. O e-commerce se consolida como canal estratégico para capturar consumidores mais engajados com saúde e bem-estar.

Com a entrada de novos players digitais e o avanço dos marketplaces no segmento de OTC, a tendência é de intensificação da concorrência, sobretudo nas missões mais simples e recorrentes — aquelas que não exigem interação especializada.

Saúde mental e bem-estar sustentam a relevância da categoria

O cenário de saúde no Brasil também contribui para o avanço do mercado de OTC. Apenas 56% dos brasileiros afirmam se sentir bem física e mentalmente, o que evidencia um ambiente de atenção crescente ao tema.

Além disso, o país registrou aumento de 68% nas licenças médicas por ansiedade e depressão, o maior crescimento da última década. Esse contexto reforça a relevância dos medicamentos isentos de prescrição, tanto para o alívio imediato de sintomas quanto para soluções associadas ao bem-estar.

Leia tambem: Saiba o que muda na prática com o andamento da Reforma Tributária

Em um ambiente de maior pressão de preços e digitalização acelerada, a disputa por consumidores de OTC tende a se concentrar cada vez mais em conveniência, rapidez e competitividade, abrindo espaço para novos modelos de distribuição além do canal farma tradicional.

O estudo integra dados do painel de lares da Worldpanel by Numerator, que acompanha continuamente o comportamento de compra dos consumidores brasileiros em categorias de consumo — incluindo medicamentos isentos de prescrição (OTC) — com base em informações declaradas e auditadas de compra.

Foto de Revista da Farmácia

Revista da Farmácia

Por meio da Revista da Farmácia, empresários e profissionais se mantêm informados sobre as mais eficientes técnicas de planejamento, gestão, vendas, boas práticas farmacêuticas, entre outros temas.
Compartilhe
Publicidade

Receba as principais notícias direto no seu celular

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Veja também

GLP-1 movimenta R$ 4 bilhões no primeiro trimestre e impulsiona subcategorias nas farmácias

Enquanto as subcategorias de protetor solar e produtos para cabelo, corpo e rosto crescem, medicamentos antidiabéticos orais e lancetas registram retração.

Envelhecimento ativo impulsiona procura por vitaminas e suplementos durante os meses mais frios

Dados do Farmácias App mostram crescimento sazonal na busca por produtos voltados à imunidade, à saúde óssea e à energia entre consumidores acima de 60 anos.

Mudança de clima impulsiona procura por produtos de higiene nasal e cuidados respiratórios

Compra de soros fisiológicos, sprays nasais e itens voltados à saúde respiratória ganha força entre abril e julho de 2026.

Apreensão de canetas emagrecedoras cresce 20 vezes em dois anos

Especialista do Grupo Polar alerta que falhas no transporte e armazenamento podem comprometer a estabilidade de medicamentos biológicos.

Medicamentos para hipertensão lideram a jornada crônica e representam 36,1% dos tratamentos contínuos

Estudo da Funcional com beneficiários do Benefício Farmácia revela que 22,4% utilizam simultaneamente terapias para pressão alta, diabetes e colesterol elevado.

Consumo de alimentos para fins especiais cresce 11,9% no primeiro trimestre do ano

Alta foi impulsionada por vitaminas, complementos alimentares e suplementos vitamínicos.
Não existem mais matérias para exibir.
Publicidade
Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, vamos assumir que você está feliz com isso.