O mercado de marcas próprias no Brasil desponta como uma oportunidade para o setor varejista, tendo o canal Farma como um dos principais impulsionadores desse segmento. De acordo com análise da NielsenIQ para o PL Connection 2026, evento organizado pela AMICCI, o canal cresceu 19,1% em faturamento no acumulado do ano até junho de 2026, em comparação com o mesmo período do ano passado.

Além disso, as marcas próprias correspondem a 27,2% do faturamento dentro do canal Farma, enquanto as demais categorias respondem por 16,8%. No autosserviço, a dinâmica é semelhante: 50,1% do faturamento provêm de marcas próprias, frente a 40,5% do total de marcas.
“Esses canais são muito promissores nas vendas de marcas próprias, e os resultados só apontam para novas oportunidades nesse sentido”, analisou o diretor de Customer Success do Varejo da NielsenIQ, Jonathas Rosa.
Na análise geral, o faturamento acumulado das marcas próprias no país atingiu R$ 10,8 bilhões. O crescimento das vendas desse segmento no Brasil é 3,8 vezes superior ao ritmo registrado pelo total das cestas de produtos do varejo.
Diferentemente do movimento registrado pelas marcas tradicionais de fabricantes, as marcas próprias sustentam sua expansão com ganhos reais de volume e presença nos carrinhos de compras. O segmento registrou alta de 11,9% nas vendas em valor e de 5,7% nas unidades vendidas.
“As marcas próprias se consolidaram como uma peça-chave no planejamento dos varejistas. Elas não apenas ampliam o portfólio, mas também fortalecem a competitividade e a rentabilidade das redes. O crescimento consistente que observamos comprova que investir em marcas próprias é uma decisão estratégica para sustentar o aumento das vendas e responder às novas demandas do consumidor brasileiro”, afirma Johnny Reitzfeld, sócio-fundador e CEO da Amicci.
Canal Farma em ritmo acelerado
O setor de farmácias de cadeia registrou a maior taxa de crescimento entre todos os canais analisados, com alta de 19,1% no faturamento, atingindo R$ 2,98 bilhões acumulados.
O avanço no canal é liderado por produtos de consumo contínuo e bem-estar, com destaque para as categorias de Descartáveis para Incontinência, que registraram alta de 41,3% em valor; Multivitamínicos, com 12,1%; Linha Gastro, com 33,8%; Fraldas Descartáveis, com 14,9%; e Tratamento de Pele, com 6,9%.
Consumidor e estratégias
O estudo revela que a marca própria deixou de ser vista como um produto de “nicho” ou de apelo exclusivamente relacionado ao preço. Atualmente, 3 em cada 10 lares brasileiros já compram itens de marcas próprias, e 58% dos consumidores declaram intenção de adquirir mais produtos do segmento.
Além disso, a aceitação é fortemente puxada pelos consumidores de maior poder aquisitivo, com as classes A e B liderando a participação nas vendas.
Outro achado relevante do relatório aponta para o papel da identidade visual e do posicionamento de marca:
As marcas próprias com identidade própria, sem o nome do varejista na embalagem, apresentaram crescimento de 18,5% nas vendas e expansão de 1,6% no número de itens oferecidos.
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Em contrapartida, as marcas que estampam o nome do varejista no rótulo registraram retração de 4,9% nas vendas e perda de espaço no sortimento, de 1,9%.
“A percepção do brasileiro sobre a marca própria mudou: custo-benefício e qualidade superior andam lado a lado. Os varejistas que estão investindo em portfólios intermediários e construindo marcas com personalidade própria estão capturando a maior parcela desse crescimento”, destaca Jonathas Rosa.