A nova lei dos marketplaces e o futuro da venda das farmácias no Brasil

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Luciano Biagi é CEO da Sanfarma (Foto: Divulgação)
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Por Luciano Biagi

A recente decisão da Anvisa de adequar as regras para o uso de marketplaces e plataformas digitais na intermediação de produtos farmacêuticos marca uma nova fase para o setor da saúde no Brasil. Regulamentada pela Lei nº 15.357, de março de 2026, essa mudança vai além da flexibilização regulatória: é uma resposta à mudança no comportamento do consumidor, cada vez mais acostumado a resolver a vida em poucos cliques pelo celular.

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Durante muito tempo, para crescer no setor de farmácias, o empresário precisava abrir lojas físicas em pontos movimentados das cidades. Estar em um marketplace não traz apenas novas oportunidades de venda, mas também insere a farmácia em um ambiente que já faz parte da rotina diária de compras do consumidor.

Essa mudança ganha força porque a população vem incorporando cada vez mais as compras online à rotina. Um estudo auditado pela FIA-USP mostra que essas vendas atingiram R$ 21,58 bilhões em 2025, uma alta de 54,82%, impulsionada por mais de 150 milhões de atendimentos. Já o relatório Uso de Medicamentos no Brasil 2026, do Opinion Box, aponta que 48% dos entrevistados fizeram compras em farmácias pela internet no último ano, atraídos pela entrega em casa, pelos preços mais baixos e pelas promoções.

Se, para as drogarias, o ganho está em alcançar mais pessoas, para os marketplaces o grande atrativo é a alta frequência das compras. Enquanto os sites e aplicativos das grandes redes já têm o histórico detalhado dos clientes, cruzando compras físicas e online, os marketplaces entram na disputa tendo que construir essa base do zero. À medida que essas compras passam a acontecer dentro das plataformas, elas também passam a conhecer hábitos de consumo, frequência de pedidos e preferências dos usuários. A disputa, portanto, não será apenas pelas vendas, mas também pela posição de quem conhece e influencia a próxima compra.

Mas a conveniência não elimina os riscos. Um outro estudo do Opinion Box mostrou que 69% dos consumidores apontam o receio de receber produtos falsificados como principal preocupação nesse tipo de compra. Também aparecem entre os temores a possibilidade de receber itens vencidos, armazenados de forma inadequada ou sem registro na Anvisa.

Vale destacar que, diferentemente de outras categorias do varejo, uma falha nesse processo pode ter consequências diretas para a saúde do consumidor, o que torna a fiscalização da cadeia de venda e entrega especialmente importante.

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Para as farmácias, o desafio será aproveitar o alcance dos marketplaces sem deixar de lado o relacionamento direto com seus clientes. Ao concentrar atendimento, dados e comunicação em uma plataforma de terceiros, a drogaria pode ganhar escala, mas também corre o risco de se tornar apenas mais um fornecedor dentro de um ambiente em que o consumidor reconhece primeiro a marca do marketplace.

A nova legislação cria espaço para ampliar a presença digital do setor, mas o resultado dessa transformação dependerá de como cada empresa equilibrará conveniência, controle na relação com o cliente e responsabilidade no fornecimento de produtos essenciais para a saúde. No fim, a tecnologia pode mudar o caminho até a compra, mas a força do setor sempre esteve no cuidado e na confiança.

Foto de Revista da Farmácia

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