Como o varejo farmacêutico deve se preparar para atender quem quer viver mais

Educação corporativa é antídoto para a rotatividade no varejo farmacêutico
Américo José, sócio-diretor da Cherto Consultoria e responsável pela área de educação corporativa
Publicidade

Eles são ativos, autônomos e, na maioria das vezes, economicamente relevantes. Não querem apenas ser atendidos — querem ser orientados. Pessoas acima dos 40 anos, que não se identificam nem como jovens nem como idosas, têm desempenhado um papel fundamental na forma como o varejo farmacêutico se relaciona com saúde, autocuidado e orientação.

Espaço publicitário

A maturidade desse público deixa claro que entregar o produto não basta: o relacionamento entre consumidor e farmácia precisa evoluir. Com repertório mais amplo, maior responsabilidade sobre a própria saúde e um novo olhar sobre viver bem, esse consumidor não quer ser enganado, não aceita ser infantilizado, rejeita promessas fáceis e exige coerência entre preço, qualidade e propósito.

Segundo Américo José, sócio-diretor da Cherto Consultoria, a grande virada dessa geração é simples, mas profunda: “Antes, as pessoas tomavam medicamentos por medo de morrer. Agora, tomam porque querem viver. E não apenas viver mais — viver melhor”.

No debate global sobre comportamento, parte desses consumidores é associada às tendências NOLTS (New Older Living Trend) e NOLDS (Never Old) — perfis que rejeitam estereótipos, valorizam a autonomia e encaram a saúde não como medo, mas como projeto de vida.

Leia também: Como a IA impulsiona os farmacêuticos do Quênia

Essa transformação impacta desde o mix de produtos até a jornada de atendimento. Em um mercado inundado diariamente por promessas milagrosas nas redes sociais, o consumidor maduro busca clareza, segurança e orientação confiável. É justamente aí que surge uma oportunidade estratégica para as farmácias.

Pesquisas recentes reforçam a força desse público. O relatório Voz do Consumidor 2025, da PwC, aponta que sete em cada dez brasileiros já utilizam tecnologia para planejar compras de saúde e bem-estar — incluindo vitaminas, suplementos e itens de autocuidado. Análises de comportamento digital também indicam que essa é a faixa etária que mais pesquisa antes de comprar e que mais busca validação técnica.

Orientar é tão importante quanto vender

Em um cenário em que o Instagram oferece milhares de soluções instantâneas para pele, cabelo, energia, imunidade e rejuvenescimento, o papel estratégico da farmácia se fortalece. O farmacêutico passa a atuar como ponte entre desejo e segurança, assumindo funções de curador de informação, guardião da credibilidade, mediador técnico e referência de cuidado para quem busca longevidade com qualidade.

Como destaca Américo:

“Esse consumidor de 45, 50, 60 anos busca saúde, mas precisa de ajuda para navegar nesse excesso de informações. A farmácia tem um profissional que sabe orientar — e isso é ouro.”

Nesse contexto, a tecnologia também exige equilíbrio. O desafio não é apenas adotá-la, mas usá-la a favor da experiência humana.

“A inteligência artificial deve robotizar processos, mas precisa humanizar o acolhimento. Dor não se robotiza.”

Na prática, sistemas agilizam, bots informam e automações lembram recompra — mas o vínculo real, aquele que gera confiança e fidelização, nasce do contato humano.

Como preparar a farmácia para conquistar — e não apenas vender

  1. Fortalecer o papel do farmacêutico
    Ele é o elo de confiança em um mercado saturado de promessas.
  2. Reforçar categorias ligadas à longevidade e vida ativa
    Vitaminas, suplementos, dermocosméticos, nutrição avançada e bem-estar orientado.
  3. Criar uma comunicação clara e acolhedora
    Rótulos legíveis, linguagem inclusiva e informações corretas e objetivas.
  4. Usar tecnologia que aproxima — não que afasta
    Aplicativos simples, autoatendimento descomplicado, WhatsApp funcional e atendimento humano disponível.
  5. Ajustar embalagens e porções
    Lares menores demandam tamanhos práticos e kits inteligentes.
  6. Treinar equipes para orientar, não apressar
    Respeito, clareza e paciência aumentam a fidelização.
  7. Criar ambientes que convidem à permanência
    Iluminação adequada, organização e uma atmosfera que comunique cuidado.

“Esse consumidor quer ser respeitado. Quer clareza, cuidado e uma farmácia que faça sentido para a vida dele. Quem entender essa maturidade — e não apenas a idade — terá uma vantagem competitiva real”, conclui Américo.

Foto de Revista da Farmácia

Revista da Farmácia

Por meio da Revista da Farmácia, empresários e profissionais se mantêm informados sobre as mais eficientes técnicas de planejamento, gestão, vendas, boas práticas farmacêuticas, entre outros temas.
Compartilhe
Publicidade

Receba as principais notícias direto no seu celular

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Veja também

Popularização da semaglutida exige maior precisão na gestão das farmácias

Expansão dos tratamentos contínuos reforça a necessidade de prever a demanda, evitar rupturas de estoque e acompanhar a jornada dos pacientes, analisa TOTVS.

Santa Branca celebra 40 anos impulsionada por recorde de R$ 255 bilhões no setor farmacêutico nacional

Com mais de 40 anos de história, rede cearense aproveita força do associativismo para crescer acima da média do mercado

Assaí lança operação própria de farmácias com 25 unidades previstas para 2026

Com a marca Assaí Farma, companhia inaugura a primeira unidade na loja Anhanguera, em São Paulo.

Marcas próprias avançam no varejo farmacêutico e ampliam demanda por parceiros industriais especializados

Com mais de 40% das famílias consumindo marcas próprias, redes farmacêuticas ampliam investimentos em linhas exclusivas e fortalecem parcerias com a indústria.

Entenda as fases que um medicamento percorre antes de chegar às farmácias

Da bancada do laboratório até a prescrição médica, um novo medicamento pode levar mais de uma década para chegar à população. Esse percurso envolve anos de pesquisa, testes rigorosos e

DPSP apresenta Relatório de Sustentabilidade com marco histórico em logística reversa

Documento destaca resultados no descarte correto de medicamentos e avanços na redução das emissões de gases de efeito estufa.
Não existem mais matérias para exibir.
Publicidade
Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, vamos assumir que você está feliz com isso.