A ampliação da oferta de medicamentos à base de semaglutida no Brasil deve aumentar a procura por tratamentos da classe GLP-1 e exigir uma operação mais precisa das farmácias. Além de garantir a disponibilidade de produtos de alto valor agregado, que demandam refrigeração, o varejo farmacêutico precisará prever a demanda, administrar programas de benefícios e fortalecer o relacionamento com pacientes que utilizam esses medicamentos de forma contínua.

A chegada da primeira semaglutida produzida no país, conhecida como o “Ozempic nacional”, representa mais uma etapa desse movimento. Segundo Rogério Vieira, a tendência é que a ampliação do acesso aumente não apenas as vendas, mas também a complexidade da operação.
“As novas opções de medicamentos à base de semaglutida, incluindo alternativas ao Ozempic, tendem a democratizar o acesso ao tratamento e a aumentar a procura por essa classe de medicamentos. Para as farmácias, isso significa administrar uma operação mais complexa, com maior previsibilidade da demanda, controle rigoroso de estoques e capacidade de acompanhar toda a jornada do paciente ao longo do tratamento”, afirma.
Principais desafios para as farmácias
Um dos principais desafios será equilibrar a procura crescente com uma oferta que ainda avança gradualmente. O volume inicial estimado em cerca de 500 mil unidades aumenta a importância do planejamento para reduzir o risco de falta desses medicamentos nas lojas. Como esses produtos precisam permanecer refrigerados ao longo de toda a cadeia logística, perdas e falhas de armazenamento também podem gerar impactos relevantes para a operação.
Outro ponto de atenção é a presença desses medicamentos nos Programas de Benefícios em Medicamentos (PBMs), que oferecem descontos por meio de acordos entre indústrias farmacêuticas, farmácias e administradoras. Para participar desses programas, as redes precisam controlar regras comerciais, validar a elegibilidade dos pacientes, aplicar corretamente os descontos e realizar a conciliação das transações.
Tecnologia é aliada do varejo
Nesse cenário, a integração entre dados de vendas, estoques, PBMs e relacionamento com os clientes permite acompanhar o consumo, antecipar necessidades de reposição e reduzir rupturas. Essas informações também ajudam as farmácias a compreender a frequência das compras e a manter o vínculo com pacientes que dependem da continuidade do tratamento.
“Mais do que vender um medicamento, as farmácias passam a construir uma relação contínua com esses pacientes. Isso exige uma operação capaz de combinar eficiência, inteligência de dados e qualidade no atendimento para garantir a disponibilidade dos produtos e uma experiência consistente ao longo de todo o tratamento”, completa Vieira.
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Com a expansão dos tratamentos de uso contínuo, a capacidade de transformar dados operacionais em decisões rápidas passa a ser um diferencial para redes de todos os portes. A tecnologia ganha, assim, uma função central para aumentar a previsibilidade, controlar processos mais complexos e sustentar o crescimento do varejo farmacêutico.