Descarte incorreto de medicamentos traz impactos no Brasil

Iniciativas de logística reversa no setor farmacêutico mostram que é possível reverter esse cenário, indo além do cumprimento legal.
Descarte incorreto de medicamentos traz impactos no Brasil
Foto: Divulgação
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Comprimidos jogados no vaso sanitário, xaropes descartados na pia, caixas de medicamentos vencidos no lixo doméstico. O que parece um gesto trivial do cotidiano esconde um problema ambiental ainda pouco percebido: a contaminação de corpos hídricos e do solo por resíduos farmacêuticos.

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Dados da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram a dimensão do mercado farmacêutico brasileiro, que movimentou cerca de R$ 160 bilhões em 2024. Diante desse cenário, o descarte adequado de medicamentos ganha relevância não apenas do ponto de vista da saúde pública, mas também da preservação ambiental.

E esse desafio não se restringe ao Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) tem alertado para os impactos da poluição por resíduos farmacêuticos, especialmente pela contribuição desses contaminantes para a resistência antimicrobiana e pelos riscos aos ecossistemas aquáticos. A presença de antibióticos no ambiente, por exemplo, pode favorecer a seleção de microrganismos resistentes, enquanto determinadas substâncias são capazes de provocar alterações em espécies da fauna aquática.

O que está em jogo

No Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei nº 12.305/2010) estabelece a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos e prevê a implementação de sistemas de logística reversa. Já a RDC nº 222/2018 da Anvisa reúne diretrizes para o gerenciamento dos resíduos dos serviços de saúde.

Apesar dos avanços regulatórios, especialistas apontam que a conscientização da população e a ampliação da rede de coleta ainda representam desafios importantes.

“Muitas pessoas ainda descartam medicamentos no lixo comum ou na rede de esgoto sem conhecer os impactos ambientais desse hábito. Dependendo da substância, esses resíduos podem contaminar o solo e os recursos hídricos, além de afetar ecossistemas aquáticos”, afirma Bianca Gomes, especialista em Engenharia Ambiental e Sanitária e ESG do Grupo EP.

Setor farmacêutico como parte da solução

Diante desse contexto, cresce a expectativa de que as empresas do setor farmacêutico avancem além do cumprimento das exigências legais e desenvolvam ações capazes de gerar benefícios ambientais mensuráveis.

Enquanto a indústria, como a epharma, promove ações de conscientização em instituições de ensino, buscando ampliar o conhecimento da população sobre os riscos associados ao descarte inadequado, o varejo farmacêutico pode potencializar iniciativas de logística reversa, instalando coletores para que o público realize o descarte correto dos medicamentos, além de educar o consumidor sobre boas práticas.

Leia também: Canetas emagrecedoras chegam a R$ 4.006 nas farmácias brasileiras

“Existe uma mudança importante em curso na área da saúde. A sustentabilidade deixou de ser apenas uma agenda corporativa e passou a envolver acesso, educação e impacto social. O descarte correto de medicamentos faz parte dessa transformação”, finaliza Eduardo Mangione, CEO do Grupo EP.

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