E se der certo? Perspectivas diante do novo cenário econômico que se avizinha

Previsões para a economia brasileira em 2020
Foto: freepik
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A não ser que você tenha passado os últimos dez meses numa bolha ou numa ilha deserta, você deve saber que estamos vivendo um momento único, histórico, na economia brasileira: a menor taxa de juros que já tivemos, e com tendência declinante, combinada a inflação abaixo da meta e crescimento de PIB e empregos.  A pergunta óbvia é: como esse novo cenário afetará seu negócio? Vamos a alguns aspectos relevantes.

Consumo: a expectativa evidente é que haja um aumento do consumo, na medida em que a situação da economia melhore e o poder de compra seja recomposto. Para as regiões que são beneficiadas intensamente pelo Bolsa Família, cabe lembrar que este ano teremos 13º desse recurso, o que poderá dar um gás a mais no consumo. Um possível aumento no número de pessoas com plano de saúde também pode, em última análise, impactar o mercado de varejo farmacêutico.

Juros mais baixos: ainda que o spread bancário não acompanhe na mesma proporção a queda dos juros, definitivamente, o dinheiro estará mais barato e isso poderá impactar sua relação com seus fornecedores bancários, tais como administradoras de cartão, factorings e, por que não?, aumentar sua capacidade de venda parcelada, o que pode ser uma grande ajuda para aumentar suas vendas. Sem dúvida, também é um bom momento para contrair financiamentos, na medida em que o custo financeiro diminuiu e sua perspectiva futura é de queda também (a não ser que o posto Ipiranga peça demissão, claro).

Por falar em financiamentos, a queda dos juros forçará os bancos a buscar novas receitas e novas formas de conquistar clientes e uma dessas formas se chama portabilidade de créditos e de financiamentos imobiliários. Ou seja, você leva seu financiamento de seu banco atual para um banco que esteja cobrando menos juros. É questão de tempo para essa oferta de serviço bater à sua porta. Além disso, com a melhora no cenário econômico, espera-se uma queda da inadimplência, o que pode diminuir o risco de empréstimo e, portanto, seu custo.

Mais investimentos públicos: fique atento às movimentações da prefeitura de sua cidade. Entraremos num ano eleitoral e isso normalmente representa mais investimentos e gastos. Se por um lado, isso pode representar uma oportunidade, também pode representar uma ameaça, caso seu alcaide decida, por exemplo, fazer uma grande obra eleitoreira que afete o entorno de sua empresa e, consequentemente, impacte suas vendas negativamente.

Mais concorrência: se o mercado melhora e o dinheiro está mais farto e barato, espera-se, por consequência, um aumento na abertura de empresas e de novas vagas de emprego. O problema é que isso pode significar que um novo concorrente abra um negócio na sua área de influência e, portanto, passe a competir por sua clientela. Na prática, significa que o mercado imobiliário espera um aquecimento da economia para superar a ociosidade que tomou conta desse setor nos anos recentes.

Veja também: Pesquisa mostra que consumidor prioriza preço na hora de comprar 

Mais segurança: não é só a estatística de homicídios que é afetada. A percepção de risco, principalmente no que diz respeito a roubo de carga, tem impacto direto no custo de frete e, portanto, no negócio das distribuidoras, o que, ao final, pode significar uma maior briga por eficiência entre distribuidoras concorrentes num cenário de menor risco.

Enfim, estamos chegando ao final de 2019 num cenário bem mais favorável do que o que encontramos no início do ano. Mantidas as CNTP (condições normais de temperatura e pressão), devemos ter um 2020 muito positivo. As cartas estão na mesa, tomara que venha um Royal Flush, a melhor mão no pôquer.

 

Foto de Fernando Gaspar

Fernando Gaspar

Mestre em Administração, com especialização em Gestão pela McGill University e pós-graduação em Varejo. Em sua coluna, Fernando faz reflexões sobre gestão, operação de varejo e outras “cositas” mais.
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