Você já ouviu falar em risco reputacional?

Quem tem um nome a zelar tende a ser mais cuidadoso na prestação de serviço.
Bons profissionais se preocupam com o risco reputacional
Foto: shutterstock
Publicidade

No mercado financeiro, é de grande importância enquadrar os investimentos e as instituições financeiras em certos critérios que permitam caracterizar o perfil do participante e/ou do produto financeiro.

Entre muitos critérios, tais como liquidez, política de compliance (nome bonito para dizer algo do tipo “o grau de juízo que o camarada tem para tomar conta do meu dinheiro”) e volatilidade do investimento (outro nome bonito para dizer algo do tipo “quanto meu dinheiro pode desvalorizar nessa coisa?”), há um termo chamado risco reputacional.

E o que seria esse risco reputacional? Bem, como o nome sugere, é o risco que implica danos ou estragos na imagem ou reputação de um agente ou de uma empresa. Há um ditado que diz que reputação é como um vaso de porcelana, depois que se quebra, você até pode colar, mas nunca ficará igual. No mercado financeiro, esse processo pode se dar de forma particularmente cruel.

Já reparou que nenhum banco tradicional oferece promessas de rendimento fantástico? Considere como “fantástico” algo, por exemplo, 15% acima do CDI – se não sabe o que é CDI, corra para o Google e depois veja quanto seu fundo de investimento rende do tal do CDI.

As instituições financeiras sabem que uma percepção negativa do mercado sobre sua seriedade e reputação podem gerar o maior temor de qualquer instituição financeira: a desconfiança e o descrédito. E, juntamente com ela, uma possível evasão de recursos para outras instituições mais seguras.

O que essa ladainha tem a ver com o varejo farmacêutico? No âmbito financeiro, passe a olhar os agentes financeiros que te atendem pelo prisma do risco reputacional. Ou seja, essas empresas possuem um nome a zelar a ponto de se preocuparem com a reputação delas? Ou são aventureiros que amanhã podem fechar as portas e ficar com seu recebível? Estou falando de todos os tipos de agentes: bancos, financeiras, factoring etc.

Resumindo, por trás de promessas de melhores taxas ou isenções de custos, veja quem é a empresa que te promete o serviço. Ela tem lastro? Está há muitos anos no mercado? Tem por trás um banco ou instituição financeira sólida?

Na dúvida, veja a média do que é oferecido no mercado por empresas tradicionais. Se o que estiver sendo oferecido a você estiver muito fora da média, lembre-se que não há almoço grátis, nem jantar. Ganhos acima da média (ou taxas muito abaixo da média) podem vir acompanhados de riscos maiores, ainda que não declarados.

Não é que você não deva ou possa aproveitar o que lhe parece uma boa oportunidade financeira, apenas tenha a cautela de comparar com o que está sendo praticado pelos agentes tradicionais do mercado, a fim de avaliar sob uma perspectiva de risco mais refinada.

A propósito, se te oferecerem um investimento com rendimentos de 15% acima do CDI ao mês, não entre nessa, por favor. O mercado financeiro até te remunera bem, mas não faz milagres.

E, por fim, utilize esse critério de risco reputacional também para os demais fornecedores e prestadores de serviço que você contrata. Quem tem um nome no mercado a zelar costuma ser mais cuidadoso na entrega de serviço.

Veja também: Liderança no varejo: o que precisa ser diferente? 

Foto de Fernando Gaspar

Fernando Gaspar

Mestre em Administração, com especialização em Gestão pela McGill University e pós-graduação em Varejo. Em sua coluna, Fernando faz reflexões sobre gestão, operação de varejo e outras “cositas” mais.
Compartilhe
Publicidade

Receba as principais notícias direto no seu celular

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Veja também

A farmácia não precisa de inteligência artificial no balcão

Por Leonardo Gouveia Sete e meia da manhã de uma segunda-feira. A porta abre e entram três pessoas quase juntas. Uma senhora com receita de anti-hipertensivo, um rapaz querendo saber

A Meta não criou um novo custo. Ela apenas colocou preço na ineficiência

Por Sérgio Gwercman As grandes transformações tecnológicas raramente começam pela tecnologia. Elas começam quando muda a lógica econômica que sustenta aquela tecnologia. Foi assim com a computação em nuvem. Durante

Comprar online: uma conta que vai além do preço

Por Talita Poleto Ainda existe uma percepção muito comum entre os brasileiros: comprar na farmácia pelo aplicativo é mais caro. Mas será que isso ainda é verdade? Curiosamente, essa lógica

Crises empresariais raramente começam com falta de dinheiro

Por Anderson Ozawa Os recentes pedidos de recuperação judicial de grandes empresas voltaram a colocar a saúde financeira das organizações no centro do debate. Mas talvez a pergunta mais importante

A farmácia virou ponto de cuidado. Agora precisa operar como tal

Por Matheus Moreira Soares Em 2025, as redes associadas à Abrafarma registraram 10 milhões de atendimentos clínicos, com média diária de 40 mil procedimentos no primeiro trimestre de 2026. O

Se as vacinas salvam vidas, por que ainda é tão difícil ampliar a cobertura?

Por Jauri Siqueira A importância da vacinação dificilmente é questionada. O desafio está em transformar esse consenso em ação. Apesar dos avanços científicos e da ampla oferta de imunizantes, o

Não existem mais matérias para exibir.
Publicidade
Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, vamos assumir que você está feliz com isso.