Na última semana, a Vittude, referência no desenvolvimento e na gestão estratégica de programas de saúde mental para empresas, realizou a 7ª edição do Vittude Summit, considerado o maior evento de saúde mental corporativa do Brasil. O encontro reuniu gestores de saúde corporativa, líderes de RH, médicos do trabalho, engenheiros de segurança do trabalho e especialistas em saúde mental para compartilhar boas práticas e promover trocas estratégicas sobre o tema “Desvendando a regulamentação e estratégias para garantir a conformidade no trabalho”.

Ao todo, foram 32 horas de conteúdo distribuídas em 26 palestras e 12 painéis, além de momentos dedicados ao networking. A programação contou com a participação de nomes de destaque, como Ana Paula Padrão, CEO da Unna; Mariana Ferrão, CEO da Soul.Me; Ana Fontes, fundadora e presidente do RME (Rede Mulher Empreendedora); Raphael Bozza, CHRO do iFood; Caroline Fenelon, gerente executiva de Saúde, Bem-Estar e Benefícios da RD Saúde; Silene Rodrigues, diretora sênior de RH da adidas; e Cirlene Zimmermann, procuradora do MTE, entre outros especialistas.
Diante da relevância dos temas abordados, confira alguns dos principais insights compartilhados durante o evento:
1) Saúde mental é inegociável
Na abertura do evento, Tatiana Pimenta, CEO da Vittude, destacou que, pelo terceiro ano consecutivo, o número de afastamentos por transtornos mentais cresceu no Brasil. Apenas em 2025, foram registrados 546 mil afastamentos pelo INSS, um aumento de 15% em relação ao ano anterior, segundo dados do próprio órgão. O cenário ganha novos contornos com a entrada em vigor da nova redação da NR-1, que passa a exigir o mapeamento e a gestão dos riscos psicossociais no ambiente de trabalho.
“A NR-1 exige das empresas uma abordagem estratégica e preventiva para a gestão de riscos psicossociais. Não existe solução mágica para um problema complexo. A maturidade da agenda de saúde mental começa quando a organização aceita que esse tema não será resolvido com superficialidade”, afirma.
2) O Brasil ainda está aprendendo, mas não parte do zero
A palestra de Gustavo Locatelli reforçou que, apesar das dúvidas em torno da nova regulamentação, o tema dos riscos psicossociais não é novo. Estudos internacionais analisam, há décadas, os impactos do trabalho na saúde mental.
“O Brasil está atrasado, mas não precisa reinventar tudo do zero. Pode aprender com a experiência internacional, adaptar modelos consolidados e evitar atalhos perigosos”, comenta Tatiana.
3) A NR-1 não criou esse dever, apenas o tornou impossível de ignorar
Durante sua apresentação, Cirlene Zimmermann destacou que a nova redação da NR-1 não cria uma nova responsabilidade, mas reforça um dever já existente: o de proteger a saúde dos trabalhadores.
“O que muda agora é a clareza e a redução do espaço para omissão. Os afastamentos, o sofrimento e as denúncias já existiam. A diferença é que, agora, não há mais como ignorar”, explica Tatiana.
4) Escala não pode ser desculpa para a inação
O case apresentado por Caroline Fenelon, da RD Saúde, mostrou que é possível avançar mesmo em operações complexas e com grande número de colaboradores. A empresa estruturou uma jornada que envolve diagnóstico, engajamento da liderança, integração de dados, formação contínua e ações específicas para áreas de maior risco. O aprendizado central é claro: quanto maior a operação, maior a urgência em tratar o tema com profundidade.
5) Cultura organizacional é peça-chave na gestão de riscos psicossociais
No painel com Alessandra Peixoto, diretora de Talentos e Desenvolvimento da Sodexo Brasil, foi reforçado que o avanço da agenda de mapeamento de riscos psicossociais depende da construção de confiança, de uma comunicação clara sobre propósito e confidencialidade, da adaptação das estratégias à realidade de cada operação e do preparo das lideranças para promover escuta ativa, empatia e segurança psicológica.
Leia também: Estudo revela desafios que travam eficiência e escalabilidade no setor farmacêutico
“Na Sodexo, entendemos que falar sobre saúde mental é, antes de tudo, falar sobre respeito, escuta e responsabilidade coletiva. Esse é um compromisso com a construção de uma cultura em que as pessoas se sintam acolhidas, seguras e valorizadas em sua integralidade”, finaliza Alessandra.