Como as bets afetam o varejo farmacêutico

Pesquisa mostra que as apostas online retiraram R$ 103 bilhões do varejo brasileiro em 2024 e revela que os apostadores são, em sua maioria, jovens e economicamente ativos.
Como as bets afetam o varejo farmacêutico
Foto: Divulgação
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O avanço das apostas digitais, as chamadas “bets”, deixou de ser apenas uma questão de entretenimento para se tornar um desafio econômico e de saúde pública no Brasil. Segundo dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o varejo brasileiro, que inclui o varejo farmacêutico, já registrou perda de R$ 103 bilhões em 2024 devido ao redirecionamento da renda das famílias para as plataformas de apostas.

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Perfil dos apostadores e impacto social

O levantamento aponta que o perfil mais exposto aos riscos é composto por homens jovens, economicamente ativos e de baixa renda. Um dado alarmante do Banco Central revela que, em apenas um mês de 2024, cerca de 5 milhões de beneficiários do Bolsa Família movimentaram aproximadamente R$ 3 bilhões em apostas via Pix.

De acordo com Rafael Espinhel, advogado e presidente executivo da Abcfarma, as famílias brasileiras, que geralmente operam com orçamentos apertados, estão substituindo gastos com prevenção e autocuidado pelas apostas. “Os primeiros cortes não acontecem no aluguel ou na conta de luz, eles acontecem em prevenção, vitaminas, suplementação, produtos infantis e cuidados com a saúde”, alertou o executivo.

Farmácias independentes são as mais atingidas

As farmácias independentes, que representam 55% do setor e estão localizadas majoritariamente em pequenos municípios e regiões periféricas, são as que mais sentem a retração no faturamento. Por atenderem predominantemente as classes C, D e E — mais vulneráveis ao endividamento com jogos —, esses estabelecimentos funcionam como um “termômetro” da crise.

Leia também: Lei estabelece que farmácias contratem jovens aprendizes

Saúde pública e regulação

Além do prejuízo financeiro, o setor alerta para as consequências sanitárias. A redução no investimento em prevenção hoje pode resultar em uma maior necessidade de tratamentos complexos no futuro. O tema já é tratado como uma questão de saúde pública e saúde mental, motivando campanhas como “Brasil contra Bets” e discussões no Congresso Nacional sobre a proteção de jovens e idosos.

Para Espinhel, o maior “mito” em torno do tema é acreditar que as apostas são apenas entretenimento, quando, na verdade, elas já trazem impactos profundos na dinâmica das famílias e na economia.

Foto de Revista da Farmácia

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