Venda de medicamentos em supermercados reacende debate sobre regulação e segurança no setor

Venda de medicamentos em supermercados reacende debate sobre regulação e segurança no setor
Ricardo Henrique de Castro Valente é empresário do ramo e diretor administrativo das Drogarias Viva Bem
Publicidade

O Senado Federal aprovou o projeto de lei que autoriza a venda de medicamentos isentos de prescrição (MIPs) em supermercados, armazéns e estabelecimentos similares. A medida, que agora segue para análise da Câmara dos Deputados, promete alterar de forma significativa a dinâmica do varejo farmacêutico no Brasil, ao ampliar os canais de comercialização e facilitar o acesso da população a produtos de uso cotidiano.

Espaço publicitário

Embora a proposta tenha sido bem recebida por parte do setor varejista, representantes do segmento farmacêutico defendem que a expansão das vendas deve vir acompanhada de critérios rigorosos de segurança, armazenamento e informação ao consumidor.

Para o empresário Ricardo Henrique de Castro Valente, que atua no mercado farmacêutico, o debate vai além da conveniência. “É importante compreender que medicamentos, mesmo os isentos de prescrição, não são produtos comuns. Eles exigem cuidados específicos de armazenamento, validade e orientação de uso. A ampliação dos pontos de venda precisa preservar esses parâmetros para não colocar em risco a saúde da população”, afirma.

Segundo ele, a presença de profissionais qualificados continua sendo um diferencial essencial. “O farmacêutico é quem garante que o paciente tenha acesso à informação correta sobre posologia, interações e possíveis efeitos adversos. A ausência desse suporte pode aumentar o risco de automedicação inadequada”, alerta Valente.

Por outro lado, o empresário reconhece que o projeto reflete uma tendência de democratização do acesso a medicamentos básicos, especialmente em regiões onde há escassez de farmácias. “Se houver uma regulamentação clara e fiscalização eficiente, o consumidor pode se beneficiar com mais conveniência e preços mais competitivos”, pondera.

Leia também: Reforma Tributária e regulamentações desafiam setor farmacêutico

O especialista também observa que a mudança pode gerar ajustes no modelo de negócios das farmácias tradicionais. “O setor farmacêutico precisará se reinventar, reforçando os serviços de atendimento clínico e os programas de saúde personalizados. A diferenciação estará no valor agregado e na humanização, não apenas no produto”, explica.

Mas o equilíbrio entre acesso e segurança deve guiar a implementação da nova regra. “O desafio é garantir que a ampliação da oferta não comprometa a qualidade da orientação ao paciente. A saúde pública precisa estar no centro dessa discussão”, conclui Ricardo Henrique de Castro Valente.

Foto de Revista da Farmácia

Revista da Farmácia

Por meio da Revista da Farmácia, empresários e profissionais se mantêm informados sobre as mais eficientes técnicas de planejamento, gestão, vendas, boas práticas farmacêuticas, entre outros temas.
Compartilhe
Publicidade

Receba as principais notícias direto no seu celular

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Publicidade

Veja também

Confira detalhes da Convenção Coletiva dos farmacêuticos de Caxias e Magé

Documento estabelece reajuste de 3,90% no piso salarial dos profissionais e benefícios.

Farmácias têm novos prazos para escolher entre Simples Nacional ou Híbrido

Regime deve ser escolhido pelo estabelecimento antecipadamente; especialista dá dicas práticas para o varejo farmacêutico.

Convenção Coletiva 2026/2027 dos motociclistas do município do Rio de Janeiro

Piso salarial dos profissionais recebe reajuste de 5%; empresas e empregados devem cumprir regras estabelecidas.

Farmacêuticos de Niterói e São Gonçalo têm novo piso salarial divulgado

Convenção Coletiva de Trabalho 2026/2027 estabelece benefícios e reajuste de 40,91% no salário dos profissionais.

No Rio, projeto de lei quer incluir todas as farmácias na logística reversa

Proposta de deputado desconsidera a existência do LogMed, programa nacional de coleta de vencidos já em vigor.

Drogasil é acionada pelo MPT após denúncias sobre uso de cadeiras

Denúncias apontam que funcionários permaneciam em pé durante toda a jornada; Dr. Márcio Coelho explica as regras da NR-17 e os direitos dos trabalhadores.
Não existem mais matérias para exibir.
Publicidade
Utilizamos cookies para garantir que você tenha a melhor experiência em nosso site. Se você continuar a usar este site, vamos assumir que você está feliz com isso.