Recrutamento e seleção: a empresa escolhe o candidato, o candidato também escolhe a empresa

Recrutamento e seleção: a empresa escolhe o candidato, o candidato também escolhe a empresa
Rafaeli Wingler é CEO da WON Gestão (Foto: Divulgação)
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Por Rafaeli Wingler

“O maior erro do recrutamento moderno é acreditar que apenas um lado está sendo avaliado”.

“A nova geração não quer trabalhar”.

Se eu ganhasse um real cada vez que escuto essa frase dentro das empresas, provavelmente já teria me aposentado.

Depois de mais de 15 anos atuando com Gestão de Pessoas, posso dizer que essa talvez seja uma das maiores generalizações do mercado de trabalho.

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A pergunta não é se as novas gerações querem trabalhar. A pergunta é: será que as farmácias continuam contratando como se o mercado fosse o mesmo de dez anos atrás?

O mundo mudou, a tecnologia mudou, as pessoas mudaram, e o recrutamento também precisa evoluir.

O mercado mudou. O recrutamento também precisa mudar

Durante muitos anos, as empresas escolhiam. Hoje, a escolha acontece dos dois lados.

Antes da entrevista, os candidatos pesquisam a empresa, analisam sua reputação, observam a liderança, conversam com ex-colaboradores e procuram entender se aquele ambiente faz sentido para o momento de vida que estão vivendo.

Os melhores profissionais não procuram apenas um emprego. Eles procuram um lugar onde possam crescer, aprender e contribuir.

Tecnologia aproxima. Pessoas continuam decidindo

A tecnologia transformou profundamente o recrutamento.

Hoje utilizamos inteligência artificial para triagem de currículos, testes on-line, entrevistas por vídeo e plataformas que tornam o processo muito mais ágil.

Tudo isso gera eficiência e deve ser aproveitado, mas existe um cuidado importante: tecnologia deve acelerar decisões, não substituir o olhar humano.

Um algoritmo identifica competências. Uma conversa identifica valores, motivação, capacidade de adaptação e potencial de desenvolvimento.

Na minha visão, o futuro do recrutamento não será humano ou tecnológico. Será a combinação inteligente dos dois.

O erro quase nunca está na entrevista

Quando uma contratação dá errado, normalmente acreditamos que o problema foi a escolha do candidato.

Na prática, muitas vezes o erro começou antes da vaga existir.

Antes de divulgar uma oportunidade, vale perguntar:

  • Por que essa vaga foi aberta?
  • Estamos crescendo ou apenas substituindo alguém?
  • Existe algum problema de liderança, cultura ou organização do trabalho que continua sem solução?

Nem toda vaga aberta representa crescimento. Algumas revelam problemas que a empresa ainda não enfrentou.

O candidato também entrevista a empresa

Hoje os profissionais também avaliam a empresa.

Eles observam a experiência durante o processo seletivo, a clareza da comunicação, o tempo de retorno, o respeito com que são tratados e a postura da liderança.

Leia também: Pessoas que protegem o lucro da farmácia

Um processo seletivo bem conduzido fortalece a marca empregadora, enquanto um processo desorganizado pode afastar excelentes talentos antes mesmo da contratação.

Contratar por competência e desenvolver por cultura

Competências técnicas continuam sendo importantes, mas não sustentam uma carreira sozinhas.

O alinhamento com a cultura, a disposição para aprender, a comunicação, a colaboração e a capacidade de adaptação fazem diferença na permanência e no desempenho.

Sempre digo que currículo abre portas. Comportamento constrói trajetórias.

Recrutamento não termina na contratação

Os primeiros meses são decisivos para confirmar se a expectativa da empresa e do profissional estavam alinhadas.

Um onboarding estruturado, feedbacks frequentes e uma liderança presente aumentam significativamente as chances de sucesso da contratação.

Vale reforçar um ponto que também aparece na NR-01: ambiente que não comunica cultura com clareza, que não orienta liderança e que ignora o descompasso entre expectativa e realidade da vaga não é só falha de employer branding, é fator de risco psicossocial dentro do próprio Programa de Gerenciamento de Riscos. Recrutamento alinhado à cultura não é só estratégia de retenção, é parte de como a empresa cumpre a norma.

Minha experiência na prática

Ao longo da minha trajetória, percebi que empresas com menor rotatividade não são necessariamente as que oferecem os maiores salários.

São aquelas que comunicam sua cultura com clareza, selecionam com estratégia, desenvolvem seus líderes e acompanham de perto a integração dos novos colaboradores.

Recrutamento eficiente não é contratar rápido. É contratar pessoas que façam sentido para o negócio e para a cultura da empresa.

Vamos conversar?

Se sua empresa enfrenta dificuldades para contratar ou reter talentos, talvez seja o momento de revisar o processo seletivo sob uma nova perspectiva.

Meu trabalho é ajudar organizações a transformar o recrutamento em uma estratégia de crescimento, fortalecendo cultura, liderança e experiência do colaborador desde o primeiro contato.

Uma reflexão para finalizar

“Talvez o maior desafio das empresas não seja encontrar bons profissionais. Talvez seja construir ambientes onde os bons profissionais queiram permanecer”.

Sobre a autora

Rafaeli Wingler é especialista em Cultura Organizacional, Liderança e Ambientes de Trabalho Saudáveis, com mais de 15 anos de experiência em Gestão de Pessoas.

Fundadora da WON Gestão, atua apoiando empresas no fortalecimento da cultura organizacional, desenvolvimento de lideranças e recrutamento e seleção estratégico.

Instagram: @rafaeli.wingler

LinkedIn: Rafaeli Wingler

Foto de Revista da Farmácia

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